sexta-feira, 31 de março de 2006

Elegia

É toda a minha alma um desconcerto.
Ora sou eterno, ora morro, lutando.
Agora erro, agora acerto,
Em busca do cuidado, do beijo terno,
Em doce malviver estou penando.

Embriagado me trago, em sonhos acordados.
E tão depressa me desfaz, uma palavra,
A alma em cem bocados.

Trago-vos em cada cantiga,
Tanto que vos quero,
Minha linda, doce e ausente inimiga.

domingo, 26 de março de 2006

Os Nossos Valores - XXXIII

"Nos seus primórdios, a Vinicultuna ensinou o Diabo a amassar o pão correctamente, e depois comeu-o."

"A Vinicultuna é oca por fora, mas o seu conteúdo é recheadíssimo"

"A Vinicultuna pode ter o Diabo no corpo."*

* A incerteza presente neste Nosso Valor deve-se à imprecisão do registo deste capítulo da história da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto. Como sobressai da leitura do primeiro Nosso Valor enunciado neste tomo, não é possível concluir se os primeiros Tunos apenas comeram o Pão que o Diabo Amassou, se o próprio Diabo.
Os estudos desenvolvidos pelo nosso centro de investigação histórica, levaram-nos a deduzir e a poder afirmar que com grande probabilidade os primeiros Tunos comeram de facto o próprio Diabo, uma vez que,tendo sido seus Mestres na arte de bem-amassar o pão, não nos parece que faça muito sentido que se fossem contentar com a iguaria do aprendiz.
A versão, defendida por algumas correntes, que defende que comeram o Diabo como punição e forma de demonstrar desagrado em relação à fraca qualidade do acepipe, é meramente especulativa.

Desembainhando a espada, ele questionou-os - XVII

-Sois Homens ou sois ratos?
- Cuidado, não respondeis, irmãos, a pergunta deve ter ratoeira.

sexta-feira, 24 de março de 2006

Hoje Foi Um Dia de Sorte - IX

Meti 0.75€ na máquina para tirar uma sandes de panado (o facto de existirem sandes de panados nas máquinas de comida do ICBAS é uns dos segredos mais bem guardados desta nobre instituição), e quando fui recolher a dita sandes, qual é o meu espanto, quando vejo, não um, mas dois panados no interior do molete.
Hoje foi um dia de azar
Continuo perdido.

Complicadíssima Teia

Quem põe certezas na vida
Facilmente se embaraça
Na vil comédia do amor;
Não vale a pena ter alma
Porque o melhor é andarmos
Mentindo seja a quem for.

Gosto de saber que vives,
Mas não perdi a cabeça
Nem corro atrás do desejo;
Quem se agarra muito ao sonho
Vê o reverso da vida
Nos movimentos dum beijo.

Ando queimado por dentro
De sentir continuamente
Uma coisa que me rala;
Nem no meu olhar o digo
Que estes segredos da gente
Não devem nunca ter fala.

Talvez não saibas que o amor,
Apesar das suas leis,
Desnorteia os corações;
- Complicadíssima teia
Onde se perde o bom senso
E as mais sagradas razões.

António Botto

(sim, sim!) Múuuuusicas

Depois de vários problemas que acabaram com terminar de uma relação de meses com o sapo, ainda nao tinha posto as músicas acessíveis.. AGORA ESTÃO!
Aproveite esta oferta exclusiva para si e aceda à galeria de fotos, com a edição premium limitada da galinhada SEM CENSURA :) Só até me lixarem a cabeça pra eu as tirar outra vez :)

Abraços!

terça-feira, 21 de março de 2006

Solicitação

A Vinicultuna de Biomédicas solicita (mas não exige) à Organização, o direito de escolher a criança deficiente a quem será entregue a cadeira de rodas adquirida após a agremiação da primeira tonelada de tampas de garrafa exclusivamente formada por rolhas de vinho tinto.

Os Nossos Valores - XXXII

"A Vinicultuna ignorava e desprezava o que era politicamente correcto, mas passou a abominar e cuspir no politicamente correcto desde que se tornou politicamente correcto gostar da Vinicultuna".

A Cruzada pelos Direitos dos Objectos - II

A Vinicultuna e os Objectos, novamente na luta pela igualdade entre estes.
Desta vez apresentamos uma proposta que acabe com a discriminação escandalosa que está a ser feita no nosso país através de uma campanha absolutamente tendenciosa em favor das cápsulas de garrafas de água.
Sugerimos. NÃO! Exigimos!
Exigimos que as Rolhas de Garrafa de Vinho e das Caricas de Cerveja, também sejam pesadas junto com aquelas ridículas tampinhas azul-bebé de andar à roda, e, uma vez atingida a tonelada estipulada, se entregue mais cedo a cadeira de rodas à criança deficiente.

A Bondade da nossa demanda comprova-se pela evidência de que assim se poderão ajudar muitos mais necessitados.

em abril. águas mil.

a vinicultuna nasceu das chuvas. e chuva se há-de tornar. quando dezenas de senhoras bonitas abrirem janelas em abril. e escorrermos todos pelas suas lágrimas de azul. luar. e quando nos formos deitar. levaremos cada um os olhos delas. azul.

sábado, 18 de março de 2006

Os Nossos Valores - XXXI

"A Vinicultuna entende o que canta o vento às águas, e sol sussurra à Lua."

"A Vinicultuna está boa e, o que ainda é pior, de boa saúde. Mas não se recomenda."

O Senhor Joaquim quererá entrar para a Vinicultuna?

Quando lhe perguntei o que estava a fazer na Casa de Saúde em Barcelos, ele respondeu que tinha ido lá passar por causa de uma Viagem Trans-Global. O quê? Uma Viagem Trans-Global. E o que é isso? Rindo-se com decoro da minha ignorância, esclareceu-me. É saltar de um planeta para outro a voar.
Talvez nos possa ajudar a chegar à Lua pelos nossos próprios meios.

Ontem Foi Um Dia de Sorte - VIII

Tenho um Poker de Joaquins entre os meus doentes. E 3 deles no mesmo quarto. É mesmo fixe. Parece mesmo aquele jantar de Tuna em que o Joel, que é um que nós lá temos que está sempre a ter ideias malucas, se lembrou de chamar Senhor Vítor a todos os caloiros. É uma grande confusão.

Ontem foi um dia de azar.

Quando já vinha no elevador desfardado (uf!) para vir embora, larguei um peido sonoro. Fiquei contente, claro. Mas logo a seguir reparei que só estava mais uma pessoa no elevador. Uma senhora nova. Não tinha forma de disfarçar. Que vergonha!

Se António Aleixo Cantasse na Tuna

Mau-cantor assim me queixo dos homens que ouvem bem,
Fosse a voz do vento humana, não lhe chamariam tal
Fosse o galo uma pessoa, e seria um zé-ninguém
E a mim aclamariam fosse eu pedra ou animal.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Ainda Há duas noites

Praça Coronel Pacheco, ali junto à antiga fábrica "Polónio".
Lá está ele outra vez!
Claro que eu não podia ir logo embora.
Por um atalho, que só nós, os de Paranhos e os da Vinicultuna conhecemos, voei para a Baixa, cheguei antes do autocarro aos Aliados, percebi que o Senhor do Vale tinha descido na Praça da República, e por ali e por além, tracei o trajecto que me levou ao reencontro.
"Então ainda não foste? Vais chegar atrasado!"
Agora dançava eu! Sob as estrelas, e à frente do carro a quem atravancava a passagem.

Ah!Ah!Ah!AH!Ah!
Boa viagem para Guimarães!
Só agora podia ir.

Há duas noites...

Fui ao Porto levantar as cópias de um processo de uma doente que tinha transferido para o Hosp.S.João, para apresentar em reunião de Serviço.
Fui, analisei os papéis, jantei em casa, passei como sempre a deixar um beijo na Avó - moramos todos à beira uns dos outros - e corri para voltar à estrada, à cama, já com umas horas de sono de véspera de trabalho perdidas. "Vai que se faz tarde"
E nisto...
ele também mora à nossa beira
...dobro a esquina...
mais precisamente entre a minha casa e a casa da avó
...e na paragem de autocarro...
no Bairro Novo do Amial
...para a frente e para trás...
mais conhecido por Bairro dos Pretos
...a silhueta inconfundível...
um caso feliz de integração social
do Senhor do Vale!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Era ele outra vez!!!!!!

Parei o carro, abri a janela, e, como já sabem, comecei a rir como um alarve.
Enfiou a cabeça dentro do carro!
Riu! Oooh!
Começou a dançar no passeio como se de um "Vira" se tratasse, como se abraçasse pela cinta e segurasse e se debruçasse sobre o par. La-la-la! La-la-la! La-la-la! e eu batia palmas.
"Vais para Guimarães?" e contou-me uma história da véspera, que incluía uma ida a Braga com"o meu amigo", a televisão, uma sobrinha chamada Filipa, uma jornalista chamada Filipa, o Primeiro de Janeiro, e o Gilé!
E depois começou a correr porque o autocarro chegara, estava a partir, e ele era o único passageiro em terra.

Um céu preto e azul é recortado por um rectângulo branco.
A silhueta do Senhor do Vale despede-se a fazer-me continência! E eu a ele. Ainda vou a trás do autocarro, mas o Senhor do Vale, sempre a dizer adeus e a rir, aponta a direcção Guimarães.
Obedeço.
Já tive o meu momento mágico da noite.

quarta-feira, 15 de março de 2006

do dia 32 de abril de 1988 para o dia 33 de abril de 1988

foi quando me vi ao espelho que reparei - a minha cara estava coberta de chantilly!
devo ter andado em sarrafusca outra vez - pensei...
ao tirar os sapatos, desmaei para a cama
no dia seguinte - tudo normal

os nossos valores - cap. % e troca o passo

"a velhice é a última a morrer"
"a infância é a primeira a nascer"
"as fases intermédias são só isso"

Hoje não pensei em ti.
Mas ao fechar os olhos, vi-te na rua a caminho de casa.
Sem uma palavra cruzaste o teu braço no meu e seguiste comigo, como tanto gostavas.
Com os velho sorrisos, o nosso caminho foi percorrido em silêncio.
Entrei em casa e abri os olhos.
Desapareceste.
Voltaste no sonho.
Por teimosia.
Hoje não pensei em ti.
Mas estiveste sempre comigo.

Grandes Frases XXVII

"Uma vez vimos um rato morto na rua...não o comemos."

Cinderela

Os Nossos Valores XXX

"A Vinicultuna olha para o passado com expectativa, para o futuro com orgulho e para o presente em cegueira."

"A Vinicultuna pratica a arte da música tântrica."

"E do sexo em si menor."

terça-feira, 14 de março de 2006

Para Começar Bem O Dia

Suspiro por ver-te, quando estamos separados.
Anseio abraçar-te sempre que te vejo.
E se te tenho nos meus braços, menina dos olhos rasgados,
Fundir-me contigo é o meu unico desejo.

É sempre um prazer levar o Senhor do Vale a casa

Porque ele sai do carro todo curvado, e curva o dorso da mão fazendo um gesto que mistura a afabilidade de um aceno, com a cerimónia de uma continência, a deferência de uma vénia, com a troça de um malandro.

E fazendo minhas as palavras de outro, "Cada vez mais gosto desta puta desta tuna"!

E depois de sujarmos as mãos no pó que cobre as janelas do Piolho, concluímos

Puseram placas a imitar granito no chão, em vez daquela cerâmica a imitar louça... (o senhor do Vale é que usa os termos técnicos certos)
Não fizeram nenhuma janelinha de abrir para o ToZé meter a cabeça de fora quando estiver a trabalhar
Avançaram o balcão.
Mandaram a parede que separava a sala principal da salinha confortável onde uma noite decidimos que mesmo sem Tunos íamos fazer uma serenata.
Está tudo muito liso e limpo.
Estamos com medo.

E um quarto homem juntou-se a nós, sujou também a palma das suas mãos no pó que cobre as janelas do Piolho, e disse, "Estão a dar cabo disto", e a minha vontade era convidá-lo para se vir sentar à bocadinho connosco no nosso banco à sombra e ao sol.

Três Homens Conversam num banco de jardim. Em frente a duas bonitas visitantes estrangeiras - mãe e filha?- que repousam.

Em que eu escolho o único banco que está ao sol e à sombra no Jardim do Carregal, em que se fala na influência do Senhor do Vale na construção do túnel do Canal da Mancha, em que o TóZé diz mal do Rui Rio, em que o Senhor do Vale resume numa frase dicotómica tudo aquilo que um homem pode querer, em que amaldiçoo dos esqueletos de cimento que se erguem na margem sul do rio, e o TóZé invoca amores antigos para não olhar para lá, em que o Senhor do Vale sugere um Hotel para o terreno baldio sobre o Horto das Virtudes, em que o TóZé se emociona ao ouvir nomes de amores recentes na minha boca, em que se fala do Domingo à tarde, dia de regresso dos magalas, do Rolando, e em que se poderá encontrar o Gilé, no café à hora do Benfica, em que o TóZé explica os limites das freguesias que se encontram neste Jardim, revela a sua ambição política, e a sua situação laboral actual, em que lambo os beiços a sonhar com os fins das noites futuras em que a Tuna baterá à porta da pastelaria do TóZé e se recomporá com as suas confeituras, em que o Senhor do Vale e o TóZé refazem o percurso empresarial do pai deste, e eu identifico duas águias de pedra no friso das fachadas de duas casas que encaram o Jardim da Cordoaria.
Em que o sol se põe.

O Poeta Cumprimenta-nos

"Riba d'Ave, Riba d'Ave!
Entre Porto e Guimarães!
Vai buscar o seu namoro!
...
O Carlos Guimarães!
Ah!Ah!Ah!Ah!Ah!Ah!Ah!"

"Ó Zé estás com uma linda perinha", e começou a fazer festinhas na barbicha ruiva do TóZé, e eu comecei a fazer festinhas na barbicha branca do senhor do Vale, mas o TóZé não fez festinhas nas nossas barbichas, ou melhor, na do Senhor do Vale, porque eu não tenho barbicha."

segunda-feira, 13 de março de 2006

A Tarde Candidata-se a Melhor do Ano

Pois é! Comecei a rir-me daquela maneira porque do outro lado da rua estava o Senhor do Vale!!!

O TóZé precisava de falar comigo

Se já nada podia estragar esta tarde de Domingo, agora ela prometia tornar-se memorável.
O TóZé estava à minha espera à porta de casa a ler "A BOLA". Perguntei-lhe para onde ele preferia ir. Para a sombra ou para o sol - porque ir para dentro de um café com esta tarde era um crime. Optámos por caminhar. Afinal eu já tinha estado sentado.
À porta das Biomédicas ainda lhe perguntei se queria entrar. Entrar nas Biomédicas não é o mesmo que estar sentado num café. Sempre é a nossa casa.
Mas decidimos continuar. Eu queria passar no Jardim do Carregal.
Branco, verde e lilás. Está muito bonito. E os patos voltaram ao lago do jardim.
Íamos falando na Tuna, claro. Era sobre isso que o TóZé queria falar.
Atravessámosmos, logo a seguir à boca do túnel, onde não há passadeira, e começámos a descer as traseiras do Hospital de Santo António.
Continuávamos a conversar. A trocar desabafos.
E nisto, ao chefqar à esquina, eu comecei a rir muito alto, como se estivesse a puxar o riso.

E quando, deusa, te estavas quase a ir embora...

... Apareceu o TóZé!!!

De como uma companhia agradável potencia uma tarde de Domingo que, de tão bela, já não podia ser estragada

Por isso, decidimos ir para um café, uma esplanada.
Jardim da Cordoaria, escolhes tu, aquela mesa, escolho eu. E fico com o sol a dar-me nos olhos.
Como a luz me obriga a semi-cerrar os olhos, isso ajuda-me a revisitar o passado, os anos de ICBAS.
Tu encarregas-te da ponte para o futuro. O Caderno Literário vai ser relançado. Só isso chega para criar esta tarde de Domingo. E para te chamar deusa.

Desembainhando a espada ele insistiu - XVI

- Sois Homens ou sois ratos?
- O facto de por vezes assumirmos a posição bípede confunde-vos, não é verdade, senhor?

Escrevo-te outra carta de amor,

... nos vincos desta folha em branco que dobro em três.

Hoje foi um dia de Sorte - VII

O Carlos, um mongolóide do internamento, hoje estava particularmente activo, e começou por nos abraçar a todos. Foi bom sentir aquele calor a rodear-me pelas costas. Depois, começou a rir muito, e, cada vez mais excitado, a abanar os raços ao longo do corpo, a dar sapatadas no chão, e depois a apitar como um comboio. Começou a marchar e a fazer continência, imitou umas bombas a explodir muito alto, tudo intercalado com uns arrotos sonoros.
Ri-me muito. Parecia mesmo um jantar de Tuna.

Hoje foi um dia de Azar

Amanhã tenho visitas, pelo que tive de aspirar a casa.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Descansem Meus Amigos!

Um certo ambiente depressivo que se têm abatido sobre esta Tuna não pode deixar de estar relacionado com a falta que nos faz... o Piolho! E o medo, que todos temos um pouco, de o ver irremediavelmente ferido e descaracterizado depois das obras.
Mas descansem meus amigos, tenho passado por lá todos os dias, e posso-vos garatir que está a ficar igual ao que era. Nada de cromados, cor de rosa, metais, vermelho choque, cartazes da delta, azulejos nas paredes e outras foleirices. Madeira, pedra e paredes brancas! Ainda não vieram os espelhos, mas já estão prometidos. E o melhor de tudo: isolamento acústico, discreto e eficaz!
A inauguração parece estar para breve, mais duas ou três semanas. A Vinicultuna, na qualidade de tuna oficial, certamente marcará presença.

É mais um dia, e sol não brilha


Que começou tarde, depois do Acaso me fazer deitar tarde.
Ia dizer nos, porque por acaso todos estes momentos sobre os quais me apetece escrever se enquadram numa atmosfera nossa. E se mais ninguém de nós estivesse, acho que seria na mesma a mesma. Começou triste, e continuou como de costume... a desenrolar-se à minha frente..... as coisas simplesmente acontecem sem me perguntarem nada. As vezes mesmo querendo dar um passo, parece que a terra gira aquele bocadinho que ha-de ser sempre dela, e ponho o pé no mesmo sítio. Outras vezes..... o mesmo.
Calhou de algo quase se desintegrar em chamas, mas miau........ ficou. E o susto. Tão básico e tão duro. Será que complico demais?

Engraçado como às vezes podemos ser tão com tão pouco. E às vezes tão repetitivos. Tão Nós (de mim). Para algúem que é tão como é - mas infelizmente se sente infelizmente diferente - ...será que é mesmo? Eu sentia-me igual. E agora sinto-me igual a mim. Sinto exatamente o contrário... no sentido da referência. E as pessoas que vejo não se sentirem tão infelizmente diferentes delas, sentem-se assim, como eu. Mas fazem-me sentir outra coisa qualquer, sair disto. E aquelas a quem mostro que a referência são elas, sem bom nem mau, sem bem nem mal, fazem-me sentir nem diferente nem igual, nem contra nem pró, mas eu.
Como os olhos dizem tanto, sendo quase sempre iguais. É infinitamente mais o que mantêm do que a sua mudança, mas é ela que nos faz querer ir mais fundo. Seremos curiosos ou mesmo indelicados? Ou achamos que isso mostra que buscam a certeza? e a queremos dar sem querer que a tenham..... pra não serem assim, iguais a eles.


Afinal... ?

Porque é que agora sinto que compreendo as físicas dos movimentos incálculaveis da vida e das condições íntimas de todos? E me sinto contente sem saber, e sem querer, e sem querer voltar a sentir-me obcecado com as minhas? Será que é assim tão mau (eu)? Ou que tão mau é isso de querer saber? Será que alguém com um olhar reprovador poderá dizer... -"Pois".. e acenando a cabeça num gesto de arrogante complacência (ou vice-inversa) me fará sentir tão insignificante que quero voltar a questionar o porquê de tudo o que sou e me esquecerei de tudo isto que às vezes vejo, tão diferente de ver sempre as mesmas coisas (in)diferentes? O bom da vida é sentir felicidade na inspiração e trizteza na expiração. Quando passamos uma estação do ano ou uma viagem na vida sem um momento assim, esquecemo-nos dela.

Não te queiras encontrar, que o vais fazer de certeza. Perde-te, que depois de saberes o caminho não o vais mais conseguir (nem te perderes, nem esse.... caminho)

E amanhã?

Sobreviver é ser uma primitiva. Viver é sentir numa derivada....

//PS: Curiosamente, acordei no mesmo sítio que à umas duas 3 semanas tive que fugir para uma sala escura e ver radiografias enquanto ma ia embalando no ritmo alegre que às vezes fica de acordar com a rádio...... e que só volta às vezes

"Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

E a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir" A.V.

Como às vezes voltamos ao certo, sem ser bom nem mau, e sem bem nem mal, e nos sentimos tão bem? Será que complico?

quinta-feira, 9 de março de 2006

Os Nossos Valores - XXIX

"Com chuva nas meias de lã e nas palmilhas daquele material fofinho, ou com as solas rasgadas pelas areias ferventes do sol do deserto, a Vinicultuna cantará."

"Durante Eclipse Lunar, ou ao Sol da Meia-Noite, a Vinicultuna cantará à Lua"

"Os Tunos da Vinicultuna toleram como ninguém a fome, a sede e a privação de sono"

"Uma vez por ano, os Tunos da Vinicultuna disputam uma partida de futebol entre aqueles cujos pénis cheiram a ananás, e aqueles cujos pénis cheiram a santola. No fim todos cheiram a concerto de concertina feita em madeira de coiso."

quarta-feira, 8 de março de 2006

Retirando rapidamente a espada da bainha, ele disse - XV

- Sois Homens ou sois ratos?
- Senhor, porque nos limitais a apenas duas possibilidades.

terça-feira, 7 de março de 2006

os nossos valores - parte C + S

"o seio do vinicultuno será, uma ou outra vez, propício ao sobrecrescimento de candidas e funárias"
"o ombro do vinicultuno é cálido; e sabe a papas de sarrabulho"
"o pénis do vinicultuno é esquivo quando quer, céptico quando querem muito, atroz quando espreitam, rápido quando bocejam e possui um aroma muito específico de ananás ou santola"
"o cotão do vinicultuno cheira eficazmente a umbigo de vinicultuno"

Previsão Para o Fim de Semana, Santiago

Jueves 9 de marzo
Períodos de lluvia
Min: 5C Mx: 15C

Viernes 10 de marzo
Nubes y sol, posibilidad de un chubasco
Min: 6C Mx: 12C

Sábado 11 de marzo
Más cálido, con brillo de sol y algunas nubes
Min: 11C Mx: 17C

Domingo 12 de marzo
Mucho brillo de sol
Min: 9C Mx: 21C

domingo, 5 de março de 2006

Já posso escrever!
Amo-vos.

sábado, 4 de março de 2006

E preparando-se para degolá-los...indagou...XIV

-Sois homens ou sois ratos?
-Meu senhor...não percebeis que somos apenas ratos personificados?
-N aceito essas desculpas...quem sois Vós?
-Mickey, meu senhor...é o nosso nome de família.

O Nosso Valor - XXVIII

"Se a Vinicultuna fosse uma Mulher, serias Tu."
*

Os Nossos Valores - XXVII

"A Vinicultuna tem coisas muito suas, e cantinhos só seus."

"O seio da Vinicultuna é um ambiente propício ao desenvolvimento de síndromes de distorção da realidade e patologia bipolar."

"O seio da Vinicultuna é grande, quente, fofinho, e jorra leite quando já não nos apetece vinho."

"A Vinicultuna pagará em dobro o que receber em triplo."

quinta-feira, 2 de março de 2006

A Cruzada pelos Direitos dos Objectos

Depois do Homem, da Mulher, da Criança, dos Animais, a Vinicultuna pretende com esta iniciativa orientar a Humanidade no sentido de uma sociedade cada vez mais justa.

Para inaugurar este espaço, foi escolhido um exemplo considerado clássico da injustiça gritante que separa homens e objectos: o Jogo das Cadeiras.
Este Jogo pretende seleccionar o Humano mais apto de entre um grupo numeroso. A escolha não se faz de forma aleatória. O grupo humano, composto por N seres humanos, dança ao som de música em torno de um grupo de N-1 cadeiras. Finda a música os humanos sentam-se nas cadeiras, sendo excluído o menos apto, aquele que ficar de pé por ter sido lento e não ter arranjado assento a tempo. O jogo prossegue até que os dois humanos mais aptos dançam em torno de uma cadeira. Finda a música é declarado o vencedor final.

As injustiças:
É porventura a cadeira da final declarada vencedora?
Porque é que o critério de selecção do humano vencedor passa por uma prova de destreza e coordenação acústico-motora, e o critério de selecção da cadeira vencedora é totalmente aleatório?
O que diriam os humanos, se, finda a música de cada ronda, em lugar de acorrerem como tolos a pousarem o traseiro na cadeira, o fizessem com vagar e cavalheirismo, visto haver lugar para todos, e se limitarem a aguardar, com o coração aos pulos, que uma cadeira da organização viesse e, ao calhas, sem olhar para caras ou biótipo, pousasse uma pessoa sobre o espaldar e a retirasse do jogo?

A Vinicultuna organizará no próximo jantar de tuna um Jogo das Cadeiras no qual, pela primeira vez na História, em simultâneo com a competição para Seres Humanos decorrerá a competição para Cadeiras.
Ambas as competições serão dotadas não do mesmo prémio, porque não se pretende que a realidade cultural de uma Cadeira seja a mesma de um Ser Humano, mas do mesmo valor pecuniário.
Acima de tudo, no final, Cadeiras e Seres Humanos terão retirado da diversão exactamente o mesmo disfrute, e confraternizarão como nunca antes puderam.

Tourdion

: Quand je bois du vin clairet,
Ami tout tourne, tourne, tourne, tourne,
Aussi désormais je bois Anjou ou Arbois, :

: Chantons et buvons,
à ce flacon faisons la guerre,
Chantons et buvons, les amis, buvons donc! :

Quand je bois du vin clairet,
Ami tout tourne, tourne, tourne, tourne,
Aussi désormais je bois Anjou ou Arbois.

Buvons bien, là buvons donc
A ce flacon faisons la guerre.
Buvons bien, là buvons donc
Ami, trinquons, gaiement chantons.:

En mangeant d'un gras jambon,
À ce flacon faisons la guerre!

Buvons bien, buvons mes amis,
Trinquons, buvons, vidons nos verres.
Buvons bien, buvons mes amis,
Trinquons, buvons, gaiement chantons.:

En mangeant d'un gras jambon,
À ce flacon faisons la guerre!
Le bon vin nous a rendus gais, chantons,
Oublions nos peines, chantons.

Anonyme-publié en 1530 par Pierre Attaingnant

Tenho em casa, guardado dos tempos do Coral, as pautas deste bonito cânone a 4 vozes. Como já podem deduzir é muito fácil. Basta pensar no refrão do "Afonso"

Saudades

Recordo esse momento em que te vi,
Recordo esse dia de amanhã

Auto-de-Fé

Carlos Fodunt, Tuno Honorário da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto, vem por esta forma renegar as heresias proferidas de forma irresponsável no contexto/ambiente de folia de Terça-Feira de Carnaval, no qual se deixou levar pelo frenesim pagão, e atentou verbalmente contra o jejum e abstinência quaresmal.
Vem também Carlos Fodunt renovar a fé na Infinita Benevolência do Altíssimo, inequivocamente manifestada pelo facto de, duas noites passadas sobre a blasfémia, se ter visto poupado à Fulminação, recebendo a possibilidade de redenção.
De novo na posse das suas capacidades de ser humano promete seguir o exemplo dos anos anteriores, e cumprir escrupulosamente os rigores da época.
Mais acrescenta que desconhecia que as entradas já contassem, que o frango do almoço estava uma porcaria, jura que pediu que a gaja escolhesse um rissol de camarão, que só comeu o bife ao jantar porque a alternativa era polvo prato de que gosta muito mais, que discorda terminantemente que Fiambre seja carne.

H5N1

Preparando a chegada do vírus invasor, o Grande Conselho dos Gansos da Califórnia deliberou por unanimidade e aplausaso a atribuição do título honorífico de Leal Defensor da Colónia a todos os tunos da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto.

Insistindo no gesto por demais conhecido, ele insistiu na pergunta que aqui se recorda - XIII

- Então, sois Homens ou sois ratos?
- Em má hora perguntais, senhor...
- Estávamos precisamente a dar conta que não estamos na posse dos nossos documentos de identificação.
- Como homem prevenido, tendes decerto convosco uma tocha.
- Será possível pedir-vos que alumieis a nossa busca?

Esticando braço e espada como se fossem um só corpo, ele disse - XII

- Sois Homens ou sois ratos?
- Mais ou menos.
- Assim-assim.
- Pois.
- É.
- Claro.

era uma vez

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