sábado, 21 de janeiro de 2006

Os Nossos Boatos

Boato: Minetum Expertis anda a estudar o Harrison porque tem que repetir o exame de especialidade.

Desmentido: Minetum Expertis é um excelente profissional, e está apenas a rever e a actualizar-se.

A Verdade: Minetum Expertis, não tendo mais nada que fazer, veio curar a ressaca com os copos de água do ICBAS. Para entrar sem levantar suspeitas trouxe o Harrison, que não abria á quatro anos, debaixo do braço.

"Do Início dos Tempos - II", e "Mitologia da Tinto - IV"

"...
"No Princípio Era o Nada", ditava a Voz Ribombante, para que o eco o escrevesse no tempo.
"Perdão, eu já cá estava", corrigiu Cinderela, do meio do nada, mas o eco não registou.
"Tu?, mas quem és tu? Quem és tu, se eu ainda não criei nada", vociferou a Voz Ribombante, e acrescentou para o eco, "Não registes, não registes", para que o eco não escrevesse estas palavras no tempo, e o eco não escreveu. Sublinhe-se desde já em defesa do eco, que foi a Voz Ribombante que disse "não registes" duas vezes, e que o segundo "não registes" não foi obra do eco, que executava a sua tarefa em silêncio, como todo o bom escriba.
"Claro que ainda não criaste Nada, senão no Princípio nem Nada seria. Mas também não me criaste a mim. Por isso digo, eu já cá estava", disse Cinderela.
A Voz Ribombante calou-se.
Cinderela quis ser simpático. "Se calhar não me viste. Eu também só te vi agora. Porque até aqui só via nada, que é tipo nevoeiro, não se vê nada bem aqui. Por isso admito que cá estivesses, embora até agora só tivesse visto nada. Isto claro porque não me consigo ver a mim próprio. Mas já cá estava. Por isso é que não acho que seja correcto dizeres que no princípio era o nada. Eu já cá estava. Mas admito que tu também estivesses."
A Voz Ribombante continuou calada.
Cinderela voltou a tentar ajudar. "Podes dizer que no Princípio estávamos aqui os dois... não te vou corrigir. Mas eu já cá estava"
A Voz Ribombante cortou a palavra a Cinderela "Mas no Princípio Tinha de Ser Nada, porque a seguir Eu tenho de Criar Tudo"
E Cinderela respondeu "Já percebi. Queres chegar a um acordo."

A Voz Ribombante deu permissão ao eco para voltar a registar as suas palavras no tempo, e começou por dizer "No Princípio era o Nada", e o eco, com toda a pertinência parou de escrever no tempo, levantou os olhos e perguntou "Quer que registe esta frase outra vez?, já a tinha escrito há pouco."
E a Voz Ribombante, ribombou mais do que nunca, "Faz como tu quiseres", e o eco, como bom escriba do tempo, tinha juízo crítico, e optou por escrever "No Princípio Era o Nada" só uma vez, mas porque achava que ficava melhor, nunca por preguiça.
E não disse nada, porque o eco percebeu que a Voz Ribombante estava chateada. Chateada por Tudo, mas não por Nada. Porque Cinderela tinha acordado não voltar a corrigir a Voz Ribombante quanto à história do Princípio e do Nada, mas fizera do Tudo ponto de honra.
E a Voz Ribombante não criou Tudo.
Porque Cinderela criou a Vinicultuna."

Da "Génese da Tuna" (porque Cinderela nunca contou a ninguém, mas registou, não no tempo como o eco, mas no primeiro caderno de tuna, com um lápis 2B).
Vou Já, Cagalhão!

De "um último encontro" entre "um alfaiate viúvo" e "uma certa Laura"... da Viela do Anjo

Se meteres à Viela do Anjo
e deres com o amor venal
de dois seres infelizes
não te escandalizes
qualquer amor vale.

Nesse amor sem sal
talvez de um magala
em folga semanal
quase nem se fala
é o amor carnal
que há nas meretrizes
mas não moralizes.
Assim dum arranjo
nunca tu precises
na Viela do Anjo.

Viela do Anjo
de Carlos Tê, música José Mário Branco, para "O Porto a Oito Vozes", Canto Nono

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Quebrando o Silêncio

"E de entre vós, qual se acha por encantos enfeitiçado?"

"Senhora, estamos todos enfeitiçados. Já vem de longe, vem de sempre."

domingo, 15 de janeiro de 2006

Manhã a Doistância

Um só despertar,
Chove também aqui.
Um país
Um só corpo, um só lugar.
Eu e tu.

sábado, 14 de janeiro de 2006

Caminhar II

Caminhar contigo ao Sol...

Ver as minhas palavras fazerem brilhar os teus olhos.
Os meus dedos a soltarem pássaros sonhadores,
Que voam no teu corpo.

Tocar o teu sorriso com a ponta dos meus lábios.
Sorver dele docemente uma luz secreta,
Que é a que ilumina o mundo...
-
Ouvir a chuva a cair, do teu leito.
O vento, o céu desfeito,
O ribombar das trovoadas.
Amanhecer, e fugirmos de mãos dadas. =)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Ontem reencontrei aquele caderno onde anotávamos as nossas ideias e cumplicidades.
reli-o.
ainda tinha 90 folhas por escrever....

domingo, 8 de janeiro de 2006

Bençãos

"Tenho-te no fundo tinto do copo vazio"

"Volta o teu beijo ao palato arranhado no acre do vinho"

sábado, 7 de janeiro de 2006

Caso Clínico

Mulher de 73 anos, Asma diagnosticada há dois, internada por falta de ar.
Chamado às 04h00 por sufeca e dor na boca do estômago
Entre fios e tubos, mezinhas, palavrões, pílulas e poções...
- E que horas são?
- São as horas que a senhora quiser.

Ontem Foi Um Dia de Sorte -III

Fiz xixi ao lado do meu chefe. Ele no urinol, e eu na retrete, com a parede a separar, mas Nunca tínhamos estado tão perto.

Ontem foi dia de azar.
O extraordinário almanaque da FIFA de 20005 que comprei na Bertrand, e trás as classificações e resultados de todos os campeonatos dos países filiados na FIFA - de Portugal às Ilhas Virgens Britânicas, só trás os resultados até Junho de 2005, o que implica que não traga as fichas dos jogos de apuramento para o Campeonato do Mundo realizados após essa data.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Férias nas Biomédicas, Regresso ao Recreio da Minha Escola - Jogos e Cantigas da Nossa Infância - VII (continuação)

...
"-O Juvenal é Burro."

Como podem ver é um jogo muito simples. Consiste em lançar a atoarda e esperar que o primeiro palerma fale. É muito divertido. Pode-se fazer mumices enquanto dura a contenda, tentando comunicar por gestos. Pode-se tentar magoar os adversários, nomeadamente pontapeando-os nos quilhões, a fim de que soltem uma interjeição, ou mostrem a fibra de que são feitos.
Curiosamente as grandes cenas de pancadaria envolviam não o decorrer mas o desfecho da partida, quando o "falador incontido", não suportava os insultos que lhe eram dirigidos.
Muito divertido para lançar na sala de aula, por forma a embaraçar os sabichões, que viriam na oportunidade de brilhar perante a mestra, uma forma de dar um argumento para serem enxovalhados na sala de aula, e, em função da acção disciplinar e severidade da professora para com o invectivador, inevitavelmente sovados no intervalo seguinte.
É um jogo para homens sérios e sensíveis que se sabem olhar nos olhos e entender no silêncio.

Uma Cantiga:

Querias!,
Batatas com enguias!,
Eu cagava e tu comias!

Queria dar-te alguma coisa...mas já esgotei o que de melhor tinha.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Férias nas Biomédicas, Regresso ao Recreio da Minha Escola - Jogos e Cantigas da Nossa Infância - VII

Um jogo:

"Quem Falar É Burro"

Ontem Foi Um Dia de Sorte - II

Desta vez fui eu que acabei com o lombo de porco assado, com nozes na cantina!

Ontem foi um dia de azar. Falhei um golo feito, e eu e o André atrapalhamo-nos mutuamente 3 vezes em saídas para o contra-ataque em superioridade numérica. Acabamos por perder.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Grandes Frases - XXIV

"O que é bom, não pode fazer senão bem."

Abraracourcix, em "O Escudo de Arverne"

domingo, 1 de janeiro de 2006

Os Nossos Valores - XXI

"Os Tunos da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto podem ter muitos defeitos, mas não dão erros ortográficos."

"A Vinicultuna nunca exagera."

e, em tom de ameaça
"A Vinicultuna não será recordada por "Uma Corja de Bêbedos do Pior", mas recordar-se-á..."

Férias nas Biomédicas, Regresso ao Recreio da Minha Escola - Jogos e Cantigas da Nossa Infância - VI

Um jogo:
Hoje, dia em que se inicia de um novo ano, Dia Mundial da Paz, dia de convívio familiar - dantes havia leitão, hoje foi pato, e eutambém só avisei que ia almoçar em cima da hora - trago não um jogo-competição, mas um jogo-lazer, próprio para jogar em salão.

"Puxar Peidos"

Não lhe chamemos um jogo, antes um desafio. Pois deve ser nesse tom que o mote deve ser dado. Esgotou-se a conversa, contêem-se os arrotos da comezaina, recordam-se em silêncio e um brilho triste nos olhos, as celebrações passadas, e alguém desperta"Vamos puxar peidos?", e, ó palavra que disseste, logo deve soltar uma sonora vaporização "prrrrrrrrrrrumm".
É garantido - um fartote de riso, pois que, dos demais confraternizantes, nenhum se deverá querer deixar ficar para trás, logo se devendo começar a espicaçar:
"Olha só para este", "Aí vai mais um", "Pega esta bufa!".
O sucesso do desafio, não deverá ser medido apenas pelos decibéis soltos pelos esfíncteres anais, mas também pelo conteúdo em gases sulfurosos, pelo que a medida mais objectiva de classificar quantitativamente um encontro, é mesmo o volume de sonoras gargalhadas.

Movimentos particularmente bonitos. O atleta ideal de uma boa partida de "Puxar Peidos", deve conciliar graciosidade e espalhafato. Assim, é sem espanto que o movimento de eleição da modalidade é a "esparregata sonora em suspensão".
A jogada-sonho de qualquer jogador, a que nenhum participante em convívios de "Puxar Peidos" se poderá considerar realizado se não a obtiver pelo menos uma vez na vida,é a que será relembrada e relatada sem cansar nos Natais, Festas de Anos, Baptizados e Comunhões Solenes futuros, pela frase e simples "E quando eu me Caguei!".
E porque um jogo, é um jogo, mas não é uma brincadeira, recordo com respeito o dia do velório do meu avô.

Uma cantiga:

Cantemos de alegria, en un campo de amistad
Al pueblo que nos une, buscando solo Paz
Pintemos de colores las nuvens que a pasar
Virán con grandes letras a'l Mexico a'l Mundial

Mexico 86, Mexico 86, donde se vive la emoción
Mexico 86, Mexico 86, el mundo unido por un balón

Mi tierra que se viste de historia e tradición
Ofrece a quien la quiere su ritmo e corazón
Brindemos un aplauso al entrega en el fútbol
Lle dé de nuestras almas, su cuerpo y su passión

Mexico 86, Mexico 86, donde se vive la emoción
Mexico 86, Mexico 86, el mundo unido por un balón

http://www.pasionredonda.com/wp-content/files/cancion-mundial-mexico-86.mp3
(Atrevo-me a sugerir - é uma formidável entrada de actuação)

- Olha, mudou o ano...

- Boa...

sábado, 31 de dezembro de 2005

Bem-Hajas 2005

Desvendo o teu corpo em esquiços
Formas que as polpas esboçam
E sôfregos os lábios reunem.

Procuro as peças em falta,
Tento encaixar as minhas.

Abre os olhos, sorri, bate palmas,
Depois de com ânsia infantil
Colocarmos a dois a última peça.

Bem-Hajas 2006

Ontem Foi Um Dia de Sorte.

Não tomei o pequeno almoço ao sair de casa, mas havia bom queijo e bom presunto no frigorífico da enfermaria.

Ontem foi um dia de azar.
O arroz de carnes acabou mesmo antes de eu me servir.

NOTA - Nova rubrica deste edição, que pretende sublinhar a dicotomia da vida de um tuno. Dela deverá sempre contar o relato de um pequeno episódio feliz, logo seguido do relato de um pequeno episódio infeliz do nosso quotidiano, que jamais manchará o primeiro.
E vivam as pequenas coisas.