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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Gato que Comia Com a Gente

A gente estava a comer. O Gato chegava, entrava, dirigia-se à nossa mesa – há sempre um lugar vazio -, sentava-se e comia com a gente.
Com mais modos ate, que ele tinha bigodes e raramente lhe respingava para a toalha. E não falava com a boca cheia. Alias, não falava. No que até era um bocado desagradável. A gente ali, e ele nem uma nem duas. Chegava, sentava, sem pedir licença, e comia com a gente. Nem se dava ao trabalho de olhar para a lista ou interpelar o Senhor Filipe. Comia com gente do que a gente estivesse a comer – pedimos sempre para mais um. E ainda se dava ares de superioridade, olhando-nos de canto, se acaso nos respingava para a toalha ou falávamos de boca cheia. Não implicava, mas havia reprovação naquela maneira de olhar.
No fim, uma vez comido com a gente, levantava-se, pousava o guardanapo, e ia embora com ar de enfado, sem se despedir

Não podemos dizer que sentíssemos simpatia por este Gato que comia com a gente, mas não tínhamos outro. Que saibamos, ninguém tem. E há pessoas muito piores.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Arrumações - Amigos da Vinicultuna

Andava cá em casa em arrumações, quando encontro esta base de copo, já com algum pó, à espera de um local para a arrumar.


Aqui está ela, com os contactos do nosso amigo Octávio Marrão, que nos recebeu em Madrid.
Não podia estar melhor arrumada.

Gracias :)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A Curta História do outro Tó-Zé

Tó-Zé (o nosso) apresentou-se a Tó-Zé (o outro)
Tó-Zé (o outro) apresentou-se a Tó-Zé (o nosso)
Tó-Zé (o outro) achou piada, era fácil de fixar. Ajudava a integrar.
Tó-Zé (o nosso) torceu o nariz, podia dar confusão.
Tó-Zé (o nosso ou o outro), chamava-se. Olhavam os dois.
Tó-Zé (o outro) até achava divertido. E ia-se integrando.
Tó-Zé (o nosso) já se estava a passar.
Podemos sempre chamar-te Nogueira... ou Pereira Nogueira. Não podes dizer que não gostas…
Mas não deixo de ser Tó-Zé… nem de olhar quando chamam… o outro.
Com o tempo habituas-te… Tó-Zé…
Tó-Zé (o nosso), nem comentou. Ninguém se ia habituar.
E um dia alguém chamou
Tó-Zé! (o nosso? O outro?)
E nesse dia alguém perguntou
Qual Tó-Zé? (o nosso? O outro?)
Foi o Tó-Zé (o nosso) quem respondeu.
Só há um Tó-Zé. Mas se preferem podem chamar-me Nogueira. Ou Pereira Nogueira.
Mas continuámos a tratá-lo por Tó-Zé. De facto, nunca nos habituaríamos. E deixou de haver confusão. Porque não voltámos a ver o Tó-Zé (o outro).

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Falta Sentida de RubiEsmeraldina

Um dia um de nós foi mal-criado.
Não interessa quem.
Perdeu as estribeiras, e num comentário chamou-lhe "puta".
Tanto pode ter sido um dos que costuma deslizar o teclado para a aseneira, como até um dos que nunca escrevia. Até pode nem ter sido o Amado da Amada Baixamente Ofendida pelas calúnias de RubiEsmeraldina.
A "Sensura" não chegou a tempo... se é que não foi dela a desbragadez de linguagem.
RubiEsmeraldina desapareceu.
Sem um lugar-comum, sem um "só enfia a carapuça quem quer", uma "dor de cotovelo" ou "de corno", um "querias mas é só para quem eu quero", ou uma referência à mãezinha.
Desapareceu.
Não voltaria.
Os ensaios ficaram pesarosos. E com frequência interrompidos com um desabafo.
"Não havia necessidade."
Sem que fosse preciso referir-lhe o nome.
"Perdemos a razão que podíamos ter."
Consciência pesada?
Até a Dona Elza acharia que não devia voltar a perguntar "Continuam sem saber quem é a Galdéria?"
Tristeza.
Sentida, chorada, cantada por cordas dedilhadas na procura de um refrão nunca explorado, há muito esquecido. Anos noventa? Fado Sueco? No início. No intervalo dos ensaios. Ao ir para casa.
Mas RubiEsmeraldina não voltaria.
Nem quando passaram seis vezes e três quartos, seis dias e três quartos sem qualquer mensagem neste blog.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Do Legado de RubiEsmeraldina

...pois foi. ela um dia partiu.
E aqui se faz a resanha do rasto de embaraço com que o teclear longínquo dos seus dedos impregnou o bom-nome da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto no infinito espaço virtual.
Respeitando uma matemática e um horário que não conseguimos decifrar, RubiEsmeraldina atacou a cada 6 dias e três quartos, arredondado aos 5 minutos, em que nenhum tuno escrevia neste espaço, encarregando-se do preenchimento do vazio, a cada 10 horas e picos.
Aqui fica um apanhado dos textos que mais nos corariam as fauces.

- "Do Fofinho ao Entesoado - Propostas para Mascotes da Tuna" - continuámos sem perceber a preferência pessoal pela toupeira.
- Fotomontagens com sugestões de roupa interior para Vinicultunos.
- As insuportáveis sugestões musicais com o pop escandinavo por referência.
- Uma foto de uma parte sua, a nu, designada como "algo mais que um ombro" ... e o embaraço que isso trouxe a alguns sectores familiares mais conservadores.
- Enumeração que a todos embaraçou, das virtudes físicas de cada um dos Tunos da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto. Mas um ficou muito mais embaraçado do que os outros.
- A rubrica "Intervalo nas Biomédicas, Regresso aos WC da Minha Escola - Brincadeiras Precoces".
- A impertinente referência em tons pouco elogiosos à Senhora do Coração de um dos nossos Contunos.
- Sugestões para novos visuais para cada um dos Tunos da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto - que curiosamente não conseguiu embaraçar ninguém mais do que tinha feito um dos apontamentos anteriores.
- A constante designação de "Queriducho".
- Os "prontos", "tá-se", e "é assim"
- Aplicações de joalharia para Trajes Académicos.
- Outra foto de outra parte sua, sob título impublicável, com referências à inesteticidade da abundância de reminiscentes da pelagem corporal versus a sua hipotética utilidade no Frio Inverno Polaco.
- Uma indecente insinuação relativa à inclinação sexual de um proeminente lente da nossa Escola.
- Adulterações porcas de Poetas Que Nos São Caros.
- A explicitude da tantas vezes repetida: "Praxem-me".
- A abusiva apropriação da frase "São as Horas Que Eu Quiser!", sempre que o intervalo dos 6 dias e 3/4 ou as 10 horas e picos calhava a desoras.
- A opção por um cursivo intencionalmente efeminado, com sublinhados a cor-de-rosa-indecente que escolheu para desenhar as suas mensagens.
- O trocadilho desgostoso que envolveu Abelardo, rimando com facilidade os termos cavalo, cala, calo, fala , falo - Mas Abelardo, pareceu não se importar, pelo menos não disse nada.
- A incómoda sensação de ver escritas frases proferidas pouco tempo antes em ambiente supostamente íntimo.
- A intolerável justificação, sempre que lhe fugia o pé para a chinela "Desculpem, já estou meia-bêbeda!".

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Em que o Magister Piça Quadrada Nega 3 Vezes Rubiesmeraldina, Questão que o Tuno Inca Sentenceia Sabiamente

- Foste tu que lhe deste acesso ao blog?
- Não!
- Trocaste uma password por um Sorriso?
- Já vos disse que nunca a vi!
- Mas quem é a ga...Donzela?
- Não faço ideia!
...
- Lá quem deu, ou deixou de dar, não sei nem interessa. Interessava era que aparecesse também no Piolho. Com tanta disponibilidade, ainda nos sai a Segunda Polaca.

sábado, 4 de outubro de 2008

Do Espantoso Nariz do Senhor Hortens'Erval, e do que nos Havia de Lembrar... e Lembrou!

Mas primeiro reparamos no bigode.
Era um bigode muito estranho. Um Senhor Bigode.
Não era um bigode, eram ervas. Verdes, Viçosas, Farfalhudas.
Numa primavera, dera-lhe. Não sabia o que primeiro.
Se os espilros a levantar os pós. Se os pós a puxar pelos espilros.
Vieram as alergias. Reacções.
São as Histaminas, explicamos, vêm os sangues às narinas. E espessam-se as mucosidades.
Pois, sò que em vez de arrebentar, brotou. Que do Quente se fez o Fértil.
E das sementes cresceu a erva, dos pólens, a que já ofereci, e ou muito me engano, ou é das penugens, este turbilhão, que já me aparta o nariz...
E espilrando não pôde ver, mas confirmámo-lo nós, o pardal colorido que esbatejou asas na noite, e viu-se com melhor contraste quando passou à frente da lua (a propósito, ainda havemos de lá chegar...).
E um de nós então lembrou-se se medraria também uvas?
E outro foi ao bolso, tirou de lá uma grainha, e botou-lha bem para lá das coanas.
(...pelos nossos próprios meios)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Rubismeraldina, a Amiga do Magister

O primeiro post apareceu num mês como este.
O blog parecia um parque de estacionamento depois da hora de recolha. Um túnel do metro depois da passagem do comboio. Faltava apenas um letreiro pendurado no monitor, que dissesse, aluga-se.
O primeiro post era apenas quase só estúpido.
Tipo "Vim só dizer Olá", ou "Vim ver como é que esta merda funciona". E ninguém estranhou.
Afinal, uma vez o Tuno Água Benta apresentara-se neste mesmo espaço só para dizer "chiki der ass", e o Tuno Inca para dizer "isto está mexido"... podia ser só um caloiro novo. O nome era amaricado, mas... há tanto tempo que ninguém escrevia...
Foi assim num mês como este. Ou como o anterior.
Depois do primeiro veio o segundo. E nada de bom augurou. O conteúdo resumia-se a uma frase feita que envolvia o conceito "caminho para a felicidade...".
No terceiro post, destruía um poema de Pessoa, menos por omitir o verso do meio, do que por tentar interpretá-lo.
E no quarto, Rubismeraldina atribuiu a um político inglês a frase de um dramaturgo da Antiguidade. Cujo sentido deturpou.
Pior, no fim desse dia, lançou no nosso blog, uma espécie de pergunta mistério, sobre a sua identidade - participação escusada - afinal, já todos nós há 2 dias nos perguntávamos "mas quem será esta vaca?"

"O Magister passou-se", afirmou-se, ou, "O Magister passou-se OUTRA VEZ", acrescentaram as más-línguas".
O Tuno Piça Quadrada, Magister da Vinicultuna e Webmaster do ideiaselamentos, entregou uma chave de acesso a uma amiguinha, foi a conclusão.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O que Cala Abelardo

Anónimo, Museus do Vaticano

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Em que Álgebro tende para Zero

Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum
Tudo começou por um Zum Zum.
E nem Álgebro, o Professor de Aritmética, Ponto da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto, nem qualquer Tuno se aperceberam. E que não se diga que estavam borrachos. Que nesse estado poderiam escutar o ténue suspiro de uma donzela que não apagasse uma vela, que não embaciasse a vidraça, na água-furtada do último prédio da Rua de Cedofeita.
Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum.
Continuou. Não era uma donzela. Nem sequer uma mosca. Apenas um ruído incomodativo, embora crescente. Nada que valesse quebrar a Alegria de Álgebro, que transbordava lágrimas de Saudade da Mal-Agradecida.
Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum
Não havia passado de fim de tarde em casa vazia com mulher ausente.
"Claro que não", diria Abelardo, o Cavalo que Cala, sentindo necessidade de evidenciar a sua erudição - único motivo, além da Boa-Educação, por que quebraria o seu quase-voto de silêncio, "É óbvio que se refere como "a que partiu", "a que o deixou", para não nos violentar com "a que morreu". Mas lessem vocês a expressão de Álgebro quando alegre chora a desgraça, como quando cantando seguis os movimentos dos seus lábios, e conseguis ler sem vacilar as letras codificadas, e saberiam como eu", um pouco presunçoso, este Abelardo, mas nunca tínhamos dito o contrário, e continuamos a ser amigos na mesma, "que a Dor de Álgebro se deve mais a...", e amigo Abelardo, a presunção é uma coisa feia, ou quem te manda falar, Cavalo Calado?, com esse ar afectado, quando pretendendo comparar a dor do Professor de Aritmético, apenas te ocorre a Dor de Corno, para opor à Dor da Alma mas nem essa serve, pois aí também dói aos desenganados, e então tentas a Dor da Morte, mas já disseste "a que morreu", e depois engasgas... e deixas a prosa a meio.
E logo um indiscreto, na mesa ao lado - "deve ter sido cancro. tão nova..."
Mas...
Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum Zum
... também não haveria falecida.
Que alheio a tudo, Álgebro, Feliz, continuava a chorar.

domingo, 23 de setembro de 2007

Novos Amigos Imaginários(?) da Vinicultuna ou Dos Pequenos Milagres

Eu juro, juro, juro, três vezes três vezes juro, por tudo que há mais de sagrado, pelo "Afonso", pelo Pote de Banha, pelo nosso Fundador, pela minha capa rasgada e pelas Cuecas da menina Aurora que vi a Ana Satânica, referida no poste anterior, na companhia do Senhor Do Vale há menos de 10 dias no Piolho.
O Senhor Do Vale estava claramente a apreciar a presença de tal donzela, abandonando a nossa mesa para maior privacidade com ela, e tentando mesmo que ela fosse convidada para a festa de aniversário de casamento do nosso Velho. Ela também se mostrou bastante interessada em ir, e em participar em mais encontros da tuna, porque, segundo dizia, era "Mezzo-Soprano e Contralto. Ao mesmo tempo!". Ficou de se marcar qualquer coisa...
No casamento do nosso Velho perguntei ao Senhor do Vale como estavam as coisas com ela, ao que ele me respondeu: "Deixei a gaja... não batia bem da tola! Ahahahaha!!!"

Qual será o significado místico deste estranho episódio? Que implicações terá para o futuro da Tuna?

tempo dixirit

sábado, 22 de setembro de 2007

Amigos da Tuna: Ana, a Satânica

Quem não se lembrará para sempre desta nova amiga da tuna, A Satânica?

Fica um filme para a posterioridade.

(clica na imagem para o filme)

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Do Silêncio de Abelardo

Abelardo chegava, sentava e calava.

Discreto, no canto menos espelhado do Piolho, Abelardo, o Cavalo que Cala, pedia o café, e, depois de o tomar, ainda quente, de um golo, ficava, cascos dianteiros cruzados em cima da mesa, fixava os mesmos cascos, sem os ver, e calava.
Calava dores, pois claro. Não as suas, não donzelas – Senhoras Éguas, ou Senhoras-Senhoras, pois que em tempos com algumas delas sonhara – mas as dores de todos os Cavalos da Equinidade.
Dores de casco muitas, esporas gravadas outras tantas, Dores de flechas crivando flancos, de lâminas decepando patas, lanças trespassando pescoços, em nome do realismo da Batalhas; Calava a sede, a fome, em esqueletos cobertos de pele, assim colocados para dar nome à Seca, ao Deserto; e as cornadas fatais em dias de infelicidade.Calava cacetadas, varadas nas costelas de Rocinante; a morte do último Unicórnio, e o triste fim nunca esclarecido daquele cavalo -seria um burro?a dor era a mesma – com cuja queixada Sansão derrubou um exército de filisteus.
Calava as penas de todos os Cavalos da História, de todos os Cavalos de todo o Mundo. Do pelo queimado dos corcéis do carro de Hélio, aos tóxicos que reduzem drasticamente as populações de cavalos-marinho. E os esforços, os castigos, sofridos às mãos de lavradores injustos, carroceiros rudes, e donos de circo cruéis.

E se, no fim de tanto calar, a hora de ir embora coincidia com mais um brinde da Tuna, que diante do seu Silêncio ensaiava, Abelardo erguia-se e calava mais alto. O brinde era seu. Pedíamos Vinho, pedíamos Broa. E Abelardo Calado, logo brindava.
Era o Brinde das Sopas de Cavalo Cansado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Álgebro, Professor de Aritmética, Ponto da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto

Enquanto Álgebro, o Professor de Aritmética foi o Ponto da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto, não mais um Tuno trocou uma letra, não mais a segunda metade da segunda estrofe encaixou na primeira metade da primeira estrofe, não mais palavras foram soluçadas à pressa ou interrompidas a meio.
Álgebro, sentava-se invariavelmente num lugar lá para o meio, onde ninguém desse por ele, ligava uma lanterninha de espreitar gargantas, prenda de um dos Tunos que ia mais adiantado, e apontava para os próprios lábios, para os próprios dentes, e cantava a letra no código que ele inventara, e só a Tuna entendia. E, guiada pelos lábios de Álgebro, a Tuna cantava certinha, certinha, certinha, pauta acima, pauta abaixo, mesmo quem tinha faltado aos ensaios, e quem não aparecia há muito tempo, embora levasse bocas na mesma.
Álgebro não sabia as letras. Sabia o código. Álgebro não cantava. Excepto quando não havia mesas livres lá para o meio, e Álgebro se tinha de sentar nos lugares junto à parede, lado a lado com o reflexo dos espelhos. Então, Álgebro lia os lábios do Reflexo do Reflexo da sua própria imagem, a soletrar o Código, e então conseguia cantar. Menos no dia em que, em lugar de olhar para os Lábios do Reflexo do Reflexo, olhou directamente os Lábios do Reflexo da própria imagem, e cantou tudo invertido. O pior é que uma velhinha ouviu, e julgou que era coisa do Diabo-VadeRetrum.
E se calhar era, porque era um código difícil, com números, contas de multiplicar e dividir por mais de dois algarismo, e com tantos Pis, Rós, Xis e Quis Quadrados, que houve quem garantisse que Álgebro era da Faculdade de Letras. Pois apesar do grau de dificuldade a verdade é que, Álgebro nunca precisou de dar explicações aos Tunos para que estes aprendessem o Código. E nem sempre as contas eram fáceis. Umas vezes apareciam muitas cervejas a mais, noutras sobravam Restos esquisitos. Mas como a Tuna cantava bem, as cervejas iam por conta da casa, e os Restos Esquisitos, dava o Tuno Grande Morsa a comer aos caloiros – isto se não lhe soubessem.
Houve a noite em que Álgebro cifrou o repertório da Tuna num problema de torneiras e tanques, e de facto, quando a actuação acabou, a sala que começara vazia, estava a transbordar, e Álgebro disse que o segredo era um enunciado com Vinho.
E Álgebro, o Professor de Aritmética, conheceu o máximo expoente enquanto Ponto da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto, na noite em que, sem combinar, Álgebro começou a silabar por algarismos, incógnitas e potências, a cifra do Próprio Fado Cantado, e a Vinicultuna cantou à primeira, sem nunca ter ensaiado ou sequer mirado pauta, a História do Amor Desgraçado de Álgebro, Abandonado pela Mulher da Sua Vida – e toda a gente no Piolho aplaudiu – embora algumas pessoas tenham ficado com a certeza de que a senhora tinha morrido.
Mas do que Álgebro mais gostou foi da noite em que sem combinar, o Magister Piça Quadrada apresentou “O Primo Álgebro”, e Álgebro cantou o “Fado do Trinta e Um”.

domingo, 5 de agosto de 2007

Da Demanda de Sezaltina

Sezaltina nunca chegará a encontrar a Vinicultuna.
Mas procurá-la-á incessantemente por todo o lado.
E um dia, anos mais tarde, muitos muitos anos mais tarde, por alturas da, benzamo-nos, cruzes credo, arre-arreda-mafarrico, longe vá o agoiro, Sua Morte, não olhará para esse insucesso com amargura, como sonho interrompido ou desígnio poor cumprir antes como a sua condecoração enquanto Cavaleira do Graal.
Sezaltina nunca chegará a encontrar a Vinicultuna.

Na sua busca infindável, contará mil motivos para voltar à estrada, contará mil histórias a filhos, sobrinhos, netos, sobrinhos-netos, a um bisnetinho que então, nessa hora maldita-longe-vá-a-desdita, terá, e a muitos muitos mais ainda, médicos burros - “Isso cá para mim é cansaço”, “Está com um esgotamento”, “Deve ser princípios de Alzheimer”, “Hmm, hmm, está a fazer uma Trombose”, “Isso que me está a contar é muito estranho”.
Porque de cada vez que se escapuliu da vigilância da filha crédula e do médico burro, para rumar ao Porto guiada por sonhos, sinais, cartas, cartazes, por ideias, por lamentos, e uma vez por um motorista da carreira que já estava tocadito, Sezaltina viveu deslumbrantes peripécias. Aventuras. Loucuras.

Seguiu um cão-esperto, que a viera esperar à Central, e riu-se com as finezas do bicho a entrar nos talhos, a andar em duas patas, a prender os ladrões; a pular para as caixas das camionetas, a molhar-se nas fontes, e a roçar-se nas moças, e dormiu na sua casota;
Da vez seguinte à do Cão-Esperto, deitou-se a adivinhar como um detective, e desmascarou uma senhora que deitava remédio no chá dos velhinhos para lhes ficar com o cheque das pensões;
Foi entrevistada-de-rua para um programa de televisão – e ela até nem via o programa!;
Uma noite em que por três vezes lhe disseram que a Vinicultuna estava lá, só que quando ela chegava, a Tuna já tinha partido para ali, e ao chegar ali, tinha ido para acolá, e acolá, tinham voltado para cá, porque afinal a gente é de onde pertence, e por isso, Sezaltina voltou para a Terrinha;
Num dia de ventania, ao defender-se do vento com um guarda-chuva que lhe tapava as vistas, embarrou sem querer com um polícia, e sem querer vazou-lhe um olhinho;
Noutra noite ouviu o eco da “Feiticeira” filtrado pelas folhagens das árvores do Jardim da Cordoaria, só que quando lá chegou era só uma lagartixa, mas cantava parecido;
Perdeu o medalhão com a fotografia d'O Falecido para na mesma noite o encontrar noutro sítio, com a improvável ajuda de um cidadão Tailandês (dão de facto muito jeito – precisamos mesmo de arranjar um);
E a vez que esteve mais perto da Vinicultuna, foi quando encontrou um Professor de Matemática, mas com aspecto desarranjado, sentado na borda do passeio, com os pés na valeta, num dia a seguir a muita chuva com os bueiros entupidos, a chorar a despedida, só que Sezaltina não percebeu de quem se tratava, e deu-lhe um rebuçado de mel, para não se constipar;

Mas Sezaltina nunca chegará a encontrar a Vinicultuna.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Abelardo, o Cavalo que Cala

Se alguém houve que tenha reparado nele, só pode ter sido um dos frequentadores mais antigos, dos tempos das reuniões do reviralho, e que ainda não perderam o hábito de pesquisar no Piolho a presença de discretos observadores.
Abelardo entrou discreto, de gabardine e óculos de sol, como só pode andar quem quer passar despercebido, e sentou-se num canto a ler o jornal, escondido no entalhe entre a coluna-mestra e a parede, no ponto-vácuo dos espelhos.
Portanto, não poderá sido a Vinicultuna a reparar nele, mas ele a reparar na Vinicultuna. Quantas vezes terá escutado os nossos ensaios? Já estaria lá quando preparávamos o Casamento do Velho, e depois saiu tudo ao contrário? Ou quando o Velho ainda era Novo? Mas nesse caso o Senhor Nogueira tê-lo-ia topado – que saudades de o ver a espreitar pelo espaço entre as revistas penduradas nas traseiras do quiosque do Senhor-Nogueira-Pai. Ter-se-á alguma vez sentido incomodado pela nossa presença? E se sim, como é que se terá dado a reviravolta da antipatia para a simpatia?
Certo é que já nos estudava há muito. E sem dúvida simpatizara connosco. De outra forma nunca teria quebrado o silêncio da forma que quebrou, no dia em que, sem reparar, nos havíamos sentado a seu lado, encurralando-o entre a harmónica-algazarra-em-preparação e o entalhe da coluna-mestra na parede, no ponto-vácuo dos espelhos. Simulando que precisava de se levantar, simulou que olhava o relógio e que ficava surpreendido com o mostrador, para poder simular que nos abordava para confirmar o atraso...
“Ó Crscalho...” - demonstrando a sua enorme categoria na atrapalhação com que se forçou a mal-disfarçar o palavrão - “...que horas são?”,- e na cortesia com que, denunciou a sua condição, pois que ao dirigir-nos a palavra pela primeira vez, retirou o chapéu que cobria sempre o cabeção.
E pela primeira vez o eco do brinde foi quebrado, pois que aos múltiplos “São as Horas que Eu quiser!”, alguém respondeu,
“Ó Carago! Um Cavalo que Fala!”.
Era Abelardo, um Cavalo sim, mas em vez de falar calava.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Da Doença de Sezaltina

"E agora, Doutor, que à Mãezinha dá-lhe para sair de casa porque diz que tem de ir não sei onde, ir ter ter com uma gente que a gente nem sabe se é parente da gente se é gente que ela ouviu falar a outra gente, ou sequer se é gente, e desaparece-nos horas mesmo dentro de casa, mete-se na cave, anda para lá aos tombos com a luz apagada, e a dizer coisas trocadas! Será Alzheimer?"
E o médico, que era burro,
"Hum...Isso deve ser Alzheimer!"
E Sezaltina, de si para si, bem-pensou
"E que bem que sabe!", e melhor-lambeu uma gota de Tinto da Cave que lhe ficara no canto dos beiços.
E enquanto o médico, que era burro, passava umas vitaminas e um calmante para o Alzheimer da Mãezinha, escapuliu-se do consultório, desceu as escadas de um salto, e escondeu-se na garagem da carreira para o Porto que ficava ao lado do consultório do médico-burro, e que estava mesmo a sair. Já por isso negociara com a filha "não ir à Caixa que os de lá não querem saber da gente, e ir por ir, ia a pagar, ao que fica ao lado da garagem da carreira, que dizem que sim, é muito bom."

Porque "não sei onde" era ao Porto, e "a gente" não era parente, nem se sabe sequer se é gente, porque é da gente, quer dizer da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto que se trata, de quem Sezaltina não ouviu falar a outra gente, antes encontrou um autocolante varrido pelo vento de uma noite de digressão, e colado nas manhãs anteriores ou nas manhãs seguintes por um menino mau no pêlo de um cãozinho-bom , que atravessou a ganir a terra, as terras atrás e à frente, as terras à volta e as estradas que as unia, até encontrar Sezaltina que descolou com cuidado o autocolante do cãozinho, e leu, "Vinicultuna de Biomédicas-Tinto? É gente boa concerteza, e não faziam isto ao bichinho.",no mesmo momento decidindo como desígnio de velhice calcorrear o país todo para os encontrar.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Procura-se Amigo Imaginário - O Caldas-Tinto

O Caldas estava de sentinela.
O Caldas adormeceu. E foi encontrado pelo Avô Custódio.
O Avô Custódio não denunciou o Caldas, e quando a Tropa acabou, ainda lhe arranjou emprego como capataz, que é uma espécie de sentinela nas obras da Barragem.
Por isso, o Caldas prometeu, e enquanto foi vivo cumpriu, entregar na casa do Avô Custódio meia-dúzia de caixotes de laranjas da terra.
Além disso, a par do Senhor António, marido da Carminda de Pardilhó, a quem o Avô Custódio também arranjou emprego lá nas obras da Barragem, era a única pessoa que era capaz de jurar, que o Avô Custódio era um Homem Muito Bom.
E jurou-o sem mentir, até certo dia do ano em que o Caldas deixou de mandar laranjas.

Naquelas noites em que o Piolho já está fechado, e o orvalho diluiu a última gota do Vinho trazido do Solar da Elsa, dava muito jeito um Caldas-Tinto que aparecesse sem avisar, para pagar favores eternos, com Produtos Engarrafados de Região Demarcada.
O Juvenal, que esteve a 5 dias de acabar a tropa, e é Oficial do Exército Português é que nos devia ter arranjado um.
E então nessas noites, se o Senhor Nogueira já se tivesse ido deitar, o Caldas-Tinto, ficaria de olhos bem abertos, de Sentinela como nos tempos da tropa, a ver se não vinha a polícia ou a escumalha perturbar as Serenatas. E enquanto isso também fazia horas até o Sol se levantar, para voltar para casa, pela estrada cheia de curvas, que isto da noite dá sono, e isto do sono torna a condução um perigo.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Alegria de Um Amigo Imaginário

Depois de conhecer a Vinicultuna, Álgebro deixou de ser distraído.
E voltou a ser feliz.
Numa noite de copos abraçou-se ao Tuno Água Benta a chorar as agruras da viuvez.
Noutra noite pediu com voz de lábios trementes ao Tuno Genoval Fodido, que acompanhasse à guitarra a tabuada dos 7. E como foi tocante ouvir “8x7,56” cantado, e conferir que estava certo.
Noutra abraçou-se a chorar ao Tuno Honorário Mineteiro, queixando-se que se abraçara ao Tuno Sábio Inca, a chorar a mulher que o deixara, e que este sem o ouvir lhe respondera “Pois, pois...”, no que o Tuno Honorário Mineteiro o foi consolando com as palavras sábias “Pois, pois...”
E noutra ainda invocou a chorar os tempos de Faculdade, embebedando-se com todos os Tunos. E com a tristeza sincera a embargar-lhe a voz, lamentou não ter então sido mais calão.
E numa noite em que chovia, sob protecção de um Alpendre-mas-Pouco, contou aos Tunos-mas-Muitos, a história triste da única mulher da sua vida, não escapando a ninguém as lágrimas que se diluiam nas poças.
Os figurantes da noite do Porto habituaram-se a referir-se a ele como “o das matemáticas que anda na cantoria com os cabrões dos estudantes”.

Amigos da Tuna III


Nome: José
Mais conhecido por: "Senhor Zé"
Profissão: Marceneiro e Animador Cultural de Peso da Régua (agora no Porto)
Hobbies: Fadista e Dançarino

O Senhor Zé (não confundir com o proprietário do Solar da Elza, sobre quem muito se há-de escrever!) é o amigo da Tuna que vos trago hoje. O primeiro que há dizer sobre o Senhor Zé é que ele não faz a mais pequena ideia do que é a Vinicultuna, esta nunca lhe foi apresentada, e provavelmente nunca ouviu falar nela (quem sabe?). No entanto conseguiu conquistar o coração de todos quantos Tunos se lhe atravessaram no caminho, nos escassos momentos que partilhamos com ele uma destas tardes de Verão.

O pouco que sabemos dele é que exerce a nobre profissão de Marceneiro em Peso da Régua, em part-time com um importante papel na Animação Cultural da vitivinícola cidade douriense. No mês de Julho, desloca-se à Praça Parada Leitão, Porto, sempre de directa e acompanhado do seu ocasional amigo e instrumentista, Dum-Dum. Os objectivos destas incursões são pouco claros, ou talvez demasiado óbvios, mas não interessa aqui averigua-los.

O seu riso fácil, o seu gosto pelas bebidas do espírito, os seus dotes de cantor e bailarino, o seu bigode, a sua natural boa disposição, espontaneidade e a sua total desinibição fazem-no merecedor, como poucos, da nossa amizade ao primeiro copo.