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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Do Fim Da(quela) Noite - Ou Antes Um Pedaço

Sugiro que subamos à Universidade. Falo em ir ao Pátio da Universidade. Mas o caloiro que um dia será Grande Morsa diz que deve estar fechada. Mas também diz que “Não nos digam que não se pode... e muito menos que é impossível!”. O caloiro que um dia será Grande Morsa já leva com ele uma placa da ProSegur.

Chiclete pede aos caloiros para nos seguirem à distância. Eles acabam por se distanciar à entrada de um bar.


Chiclete sugere que caminhemos em silêncio. Disfrutemos a noite. Apetece-lhe caminhar em silêncio. Mas eu sinto-me demasiado leve para o fazer. (Se calhar nunca o conseguiria fazer).
Como um palhaço aponto para a Lua, e para todas as coisas dignas de serem vistas. Mas sabe bem andar em silêncio.
Chegamos à altitude da Praça da Universidade. Junto à Sé Nova.
Deixo-me rebolar duas vezes pela rua inclinada. Da segunda só um bocadinho, porque Chiclete que tinha ficado com quase todos os meus objectos, me avisou que vinha um carro. O relógio parte-se. Fica parado nas...3h15.


São as horas que eu quiser!




...da "Crónica da Digressão a Coimbra, por um Candidato a Tuno-Honorário da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto", Junho de 2004

NOTA - para ler mais sobre este episódio, remetemos aos comentários ao segundo da rubrica "As Nossas Lendas", publicado a 19 de Fevereiro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

Dos Fins das Noites

O Bar do Organismo Autónomo
O Paulo Miguel
A Roulotte Psicadélica
Aqule Relvado que Já lá não está
A Esplanada do Avenida
Aqueles Setenta anos de Vida, que Éramos a Coisa Mais Linda que lhes Fazíamos
A Eddy e o Pretussionista
A Leonor
O Pretussionista outra vez e O Dia de Portugal
A Real República Ó-Ay-Ó-Linda
A Mão de Outra Pessoa nos Tintins Não Sei de Quem
As Vendeiras do Mercado Dom Pedro
O Jardim da Manga
O Mondego
A Dona Estrela
A Alta ao Luar
O Lixeiro da Aldeia do Paço, de Capa Traçada. Ao Luar
As Águas Tépidas dos Leões. Ao Luar
Outros Setenta anos de Vida, que Éramos a Coisa Mais Linda que lhes Fazíamos. Ao Luar
E a Ana Carolina

Coimbra, ai, ai...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uivando... algures, Pelo Fim da Noite

A Lua por trás da torre
Faz a torre diferente.
A verdade quando morre
Morre só porque não mente.

Mente a Lua que se esconde
Por trás da torre de aqui.
Mente a torre porque é onde
A Lua não está ali.

A Lua é só um reflexo,
A torre é um vulto somente,
E assim, num íntimo nexo,
Qualquer diz verdade e mente.

E é desta mista incerteza
De verdade e de mentira
Que nasce toda a beleza -
Que desta hora se tira.

Saibamos, dando guarida
Ao que tudo é de metade,
Fazer bela a nossa vida
Mentindo com a verdade.

29-9-1933 Fernando Pessoa

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Do Fim da Noite XXI


terça-feira, 26 de maio de 2009

Insónia

Pode alguem ser quem não é?

Pode alguém viver numa cidade cinzenta, quando os verdes campos são uma casa?
Pode alguém cuidar do próximo quando a própria alma está decadente?
Pode alguém aproveitar o dia quando é a noite que o compraz?
Pode alguém dançar quando, no fundo, o que ouve sabe-lhe a fado?
Pode alguém beber o correcto quando só o tinto lhe acalma o espírito?
Pode alguém conter-se em silêncio quando guarda mil gritos congelados?
Pode alguém praticar a paixão fria quando o que sente é amor cego?

Pode alguém ser quem não é?

Pode...
Mas tudo perde o sentido.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Do fim da Noite XIX

Se estou sozinho é num beco que me encontro
Vou porta a porta perguntando a quem me viu
Se ali morei, se eu era o mesmo e em que ponto
O meu desejo fez as malas e fugiu

Sérgio godinho

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Do Fim da Noite XVIII ...





sábado, 2 de fevereiro de 2008

Do Fim da Noite... em Braga, à carga!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Do Fim da Noite

O contorno do monte destaca-se da madrugada.
Aqui ainda está escuro.
Morre Alonso Quijano,
o Bom, o Assizado.
Que não Dom Quixote.
Esse viva!
E já há muito tem o sol pelos olhos, do outro lado da Penha.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Do Fim Da Noite - XV

"Acorda..."
"??u??a??h??"
"Acorda..."
"O que foi?"
"Shhhhhhhh.... escuta"
"..."
"..."
"O Tuno Genoval Fodido teve pesadelos outra vez?"

E adormecemos abraçados a ouvi-lo, até às 5 da tarde.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Do Fim da Noite de Tokyo


Sou desperto de um sonho, por um tremor de terra.

Por muitos barcos vim ate aqui,
a esta terra onde Sol primeiro se consome,
antes de atravessar todos os ceus do Mundo.

Neste outro mundo flutuante, onde as margens do dia cedo se apagam,
tudo sao cores no olhar, estranhos perfumes e suaves sabores nos sentidos.
Onde todos os sons dancam em redor de fogos de artificio,
e giram e estoiram no ar e brilham como mil sois!


Fecho os olhos.
E de repente sao so as estrelas e um grande rio de pedras, e o mar...

E e tudo escuro, menos os teus olhos.
Como dois grandes farois na distancia.
Atraves dos mares, montanhas, rios, cidades, selvas e desertos.
Como uma luz antiga, tremula e quase perdida,
a indicar-me o caminho...

De volta.

domingo, 5 de agosto de 2007

Do Fim da Noite XIII

Luz da manha suspensa
sobre dois enamorados
Quarto sem cortinados

Do Fim da Noite XII

A bordo do autocarro:
"E que tal se nao saisemos na nossa paragem. Pode ser que a proxima nos leve para mais perto do nosso destino.
Seja ele qual for..."

domingo, 8 de julho de 2007

Do Fim da Noite XI


A noite - enorme.
Tudo dorme,
Menos o teu nome.




haiku

quarta-feira, 28 de março de 2007

Do Princípio Do Dia

Colher as tuas flores
Arrancar os teu laços
Com os dentes.

Ficarmos sós,
Despidos e contentes.

Perdidos na mesma sede,
Dos beijos lentos
Dos dias quentes.

Nos nossos olhos
- A luz
De todas as madrugadas.

Amanhecer,
E fugirmos de mãos dadas.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Do Fim

Em cavalos de ferro derrotei a minha vida,

Colhi uvas maduras nas vinhas da glória.

A viagem que termina sabe-me a descida,

Voo em arco, sobre os campos da vitória.

.

A vontade, quebrei-a, está vencida,

Em soluços de cores arremeto pelo ar,

Na debandada geral foge espavorida

A triste confiança, gasta, de me sonhar.

.

A língua em que grito foi esquecida

Os dentes caem-me da boca, a sangrar,

E no vento germinam como casas.

.

As correntes que me prendem são asas,

Feitas de aço de angústia, de papel e mar,

E ardem-me os olhos, à força de os fechar.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Quem Fomos

Antes de nós,
Nada fora meu.
Antes do teu ventre, latejando
Entre os vincos da manhã
Sórdido, doirado, puro
Eu não sabia que as mulheres
Doem, ardem e ferem.

Antes de cada coxa tua
Fera feita de carne
Me ter envolto o pescoço
Eu julgava que todos tínhamos grandes planos.

Como um pavão coxo voei
E a penas e sangue
Colhi todas as amoras dos caminhos
Para coroar cada beijo.

Mas eu não sabia
Que as flores são um contrato
Com o outono
E que os frutos sabem, e despedem-se
Com as primeiras águas,

E eu não conhecia o frio.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Do Inverno

Tu não sabes nada, ainda
Dos amores que caem como folhas de outono
E são veludo no vento

Tu não sabes
Que o frio nos invade
Por dentro e por cima de nós
Há muros de gelo
Onde esbarram e se estilhaçam todas as palavras
E a dor acorda e embriaga e acaba
Em calmos prazeres, quentes e tristes
Feitos de pele, como o sol de Janeiro

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Do Fim da Noite IX

Esqueci-me de ti,
Como se esquece um objecto precioso
No fundo de um baú.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Conto de Verão

Há cem dias que não escrevia. Os traços fortes dos dedos estavam secos,
Os olhos cansados e muito abertos.
Tinha perdido a memória das noites, e a certeza do outro sonho.

Entretanto houve trovoada na grande tarde de Verão.
Os céus desabaram, a poeira escorria feita em lama,
E o cheiro forte da terra enbriagava como Vinho novo.

Algo estava a mudar, naquela parte do mundo.
Uma asa enlaçou-se ao som estrondosamente belo de um trovão,
E cantando sinfonias infinitas, trouxe com ela a poesia.