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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Do Vinho, e da Amizade entre os Povos - VIII

"Voltei ao quarto e passei a noite com Strehlow e uma garrafa de borgonha.
Certa vez, Strehlow comparou o estudo de mitos aborígenes com o percorrer de um «labirinto de inúmeros corredores e galerias» misteriosa e complexamente ligados entre si. Ao ler os Cantos, fiquei com a impressão de Strehlow era um homem que tinha penetrado neste mundo secreto pela porta de serviço; alguém que tinha tido a visão de uma estrutura mental mais maravilhosa e complicada doque tudo o que existe na terra, uma estrutura que faz que todos os sucessos materiais do homem não pareçam de grande importância e que, de certo modo, escapasse a qualquer descrição.
O que torna o canto aborígene tão difícil de ser apreciado é essa interminável acumulação de pormenores. No entanto, até mesmo um leitor superficial pode entrever um universo moral - tão moral como o Novo Testamento - no qual os elos de parentesco se estendem a todos os homens vivos, a todas as outras criaturas e rios, rochedos e árvores.
Continuei a ler.
As transliterações da língua aranda apresentadas por Strehlow eram de fazer perder a paciência a quem quer que fosse. Quando já não consegui ler mais, fechei o livro. Tinha as pálpebras que pareciam lixa. Acabei com a garrafa de vinho e fui beber um brandy ao bar.
Um homem gordo e a mulher estavam sentados perto da piscina.
- Uma muito boa noite para si, meu caro senhor! - cumprimentou-me.
- Boa noite - retorqui.
Pedi café e um brandy duplo no bar e levei um segundo brandy para o quarto.
A leitura de Strehlow deu-me vontade de escrever qualquer coisa. Não estava bêbado - ainda não - mas há séculos que não me sentia assim tão perto de o estar. Peguei num bloco-notas amarelo e pus-me a escrever."

de "O Canto Nómada", de Bruce Chatwin

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Travel Fellows - About the Wine and the Friendship between People - VIII

"- Why don't you come upstairs and have a nice time?
- Because today is the St.John's night, and that's the biggest party of my hometown. I'm sorry. I spent all my money in wine..."

terça-feira, 20 de junho de 2006

Se a Tuna estava lá, e eu nao os vi...

Será que nao tiveram o cuidado de deixar a porta entreaberta quando se esconderam dentro do cofre da bagagem, e apanharam asma?

...do fim da noite - X

Levantei-me à hora pretendida.
Toda a gente dormia. Profundamente e em paz.
No corredor, o meu Pai, ainda sem dormir, zelava por nós, com outros Senhores Polícias, e Voluntários da Cruz de Malta.
Perguntei onde era a saída. Perguntou-me se nao queria tomar um chá quente - nao era o meu pai, acho que o meu pai nao me oferecia um chá quente. Aquele senhor era um Homem Bom.
Depois de ter aceite o chá, que me aqueceu e reconfortou por dentro, o Homem Bom indicou-me a casa de banho.
Depois do meu xixi, o Homem Bom indicou-me a saída.
E sorriu.

...no México deve haver Tunas fantásticas, sao uns pandegos, mas os meus Tunos ambém estavam ali no meio, de certeza.

Eram camas verdadeiras. Um Hospital de campanha, uma coisa preparada para a evenualidade de uma catástrofe. Saímos da estacao por umas escadas e uns corredores para um edifício contíguo, e havia ali beliches de 3, numa rede de fibra resistente. E havia lugar para todos nós. Até para mim! E à entrada, um polícia, a sorrir com carinho - nao era um policia! era o meu pai! - e entao à enrada, o meu Pai, a sorrir, oferecia um edredao leve a cada mexicano.
Nós só nos ríamos. Acho que nos nossos países nao há nada assim, e, se houver, nao a desperdicamos com gente que dorme nas estacoes de comboio.
Fechei os olhos, mas nao adormeci.
Nao adormeci, porque quando esava mesmo mesmo a entrar no libo do sono, mas mesmo mesmo, um Mexicano comecou a gritar com uma voz de sono, monocórdica, mas muito engracada:
"Que me viengán hacer la cama!",
"Me puengán ropa, que quiero un recuerdo deste hotel!"
"Tiengo claustrofobia!"
"Nos mandáran para las cameras de gas!"
"Quiero ser tratado como una persona!"
"Tiengo cara de perro, pero non quiero una cama chompita!"
no que culminou com um grito de ordem
"Este governo es puto! Este governo es puto! Este governo es puto!"

Eu tambem queria molhar a sopa.
Acho que esta situacao nao era possivel em Portugal, mas se estivéssemos no México, só nos encontraríamos todos deitados numas instalacoes daquelas, com os bracos e as pernas partidas, depois de um motim. E aquele rapaz provavlemente só conseguiria dizer "ai!", "ui!", eventualmente "madre mia", se nao lhe tivessem partido os dentes.
Por isso que me ri tanto, e nao consegui falar.

Faz bem à saúde adormecer a rir.

...mas isto nao foi nenhum sonho

Aconteceu mesmo.

Estava eu sossegadinho, e fui acordado por um polícia.
Eu já tinha achado estranho nenhum polícia se terzangado quando eu saí de um dos cofres da bagagem. Na verdade até acharam piada.
O que achei mais estranho foi a forma carinhosa como este polícia me acordou.
De todas as vezes anteriores em que tinha sido acordado por polícias, estes estavam com cara de caso, e mandavam-me levantar imediatamente. Mas este nao.
Perguntou-me porque é que eu estava ali, se nao preferia ir dormir para uma cama.
Como eu disse que inha comboio às 6, ele perguntou se nao queria ir dormir para uma cama das 3 às 6.
Eu sei que há pessoas perturbaas que às vezes se fantasiam de polícias para abusar da gente, mas este era um polícia a sério, e, com toda a educacao, perguntou-me:
"Se quiseres, temos ali uma cama confortável, onde podes ir dormir até às 6.", e , o que realmente me deixou estupefacto, "se quiseres, se prefereires, podes continuar aqui."

Por educacao, nao podia recusar.

...tenho a certeza que aTuna andava por lá!

É que normalmente quando estas coisas acontecem estamos todos juntos.

Já estava a dormir há uma ou duas horas, num rebordo de um corredor mais largo da estacao, encostado a uma montra. Estes rebordos sao os melhores, porque nao vem vento de todos os lados, e este, tinha a vantagem de ser inclinado, o que nao é tao bom para dormir, mas faz bem às varizes.
Eu também acho que faz bem aos sonhos, que devem ser melhores quando chega mais sangue à cabeca.

A Tuna devia andar por ali...

Há dias tive uma noite daquelas... como voces sabem...
Tinha acabado o México-Angola, e a estacao de Hannover estava cheia de Mexicanos à procura de sítio para dormir para esperar o comboio seguinte. E eu no meio deles!
O depósito das bagagens era o sítio mais quentinho, eu até já tinha estendido a minha bandeira, mas a companhia dos comboios tinha outros planos.

Foi extremamente divertido. Sempre que um funcionário da companhia dos comboios pedia a um de nós para se levantar e sair, primeiro fazíamos de cona que nao entendíamos, mas como ao fim de muito tempo eles continuavam educadamente a pedir, nós lá nos levantávamos. Nessa altura já outros Mexicanos se tinham deitado noutro local, porque o depósito das bagagens da estacao de Hannover, é como um labirinto. Quando os funcionários dos comboios iam falar com os mexicanos que se tinham acabado de deitar, era a nossa vez de fazer o mesmo.

Havia um Mexicano especial. Era mais velho, grande, tinha barba, era muito feio, com uma borbulha grande e redondinha junto ao gigantesco nariz. Era tao especial que os outros mexicanos lhe chamavam Wookye. Estava ocupado a encher o seu colchao insuflável, e diyia que nao saia dali enquanto os outros nao tivessem ido embora.
Entao chegou um senhor gordo e bem-vestido que estava muito zangado, e, ao contrario dos fncionarios a quem dava ordens, nao sorria para ninguem

Foi entao que eu me decidi esconder dentro de um dos cofres da bagagem. Pus-me todo encolhidinho, encostei porta, mas nao a fechei, porque senao nao entrava ar nenhum, e eu podia apanhar asma.
Foi lá que a polícia me encontrou.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Companheiros de VIagem - Do Vinho e da Amizade entre os Povos - VII

"- ...Mas esta nao é a melhor altura para se ir a Alemanha. Em Setembro é que há as Feiras do Vinho, nas cidades.
- Mas eu nao vou pelo Vinho, nao é pelas feiras.
- Sim, e o Vinho de lá também nao é grande coisa...
- Pois nao, mas o Vinho, levo-o eu comigo!"

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Com as Pousadas e Albergues lotadas...

...Sonharei Contigo,

Estendido em bancos de jardim,
ou em arbustos fofinhos
Sob as pontes
ou alpendres,
Nas fontes, nas taças dos chafarizes, secos ou cheios
Nos portais das Igrejas
sob a arcada das grandes catedrais,
Nos beirais, com os gatos
Ou debaixo destes, em ninhos de andorinhas,
Em casotas de cães,
Celeiros, Estábulos
Cortes de porcos,
Em todas as capoeiras de todas as freguesias
E de volta à cidade, na rua,
Estações de comboio,
Na linha do comboio,
No local onde a rua, cruza a linha de comboio,
Na passagem de nível
Esquadras da polícia,
No aljube,
Em bares, pipas de vinho e bordéis.
No pior batelão atracado no porto de Hamburgo.

Assim será a viagem.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Companheiros de VIagem - Do Vinho e da Amizade entre os Povos - VI


"-Ora então os meus amigos como estão?
...
-Ora então os meus amigos nã dizem nada?
...
-Era então os meus amigos nã respondem?
...
-Malcriados!
...
-Eh!Eh!Eh!
...
- 'tô a brincar! Já estão c'os copos nã é? Eh!Eh!Eh!"

Do alegre diálogo com os nativos de Paucartambo, Peru, retratados. Sempre alegres, mas sempre firmes.

sábado, 29 de outubro de 2005

Companheiros de Viagem - Sobre o Vinho e a Amizade entre os Povos - III


"Nao está suja. É vinho."

Minetum Expertis, Tuno Honorario da Vinicultuna de Biomedicas Tinto, post a ilustrar brevemente.

Travel Fellows- about Wine and Friendship between People II

"Tomorrow we will leave in a bus like a big family. So, if you want to bring something, like a bottle of wine, you are wellcome. You are more than wellcome."

Paulo, da Agencia de Rafting

"How did you like Rome?"
"Well, I like the food, and I like to drink"
do autocarro, a resposta, é de um London-Irish (assim se auto-intitula.)

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Compañeros de Viage - del Viño e de la Amistad entre los Pueblos

-Caballero?
-Vinho.
- Branco? Tinto?
- Vinho Tinto.
... (pchhhh)
- E señor, para si?
- Para mi el mismo

...

- Es de que parte de Brasil?
- Sou Português.
-Ah Portugues. Estubie en Portugal. En Porto.
- Eu sou do Porto.
- Porto. Bebemos viño en todos los lados. Lo fermientan en barricas en los barcos
-(nao é bem assim, mas está bem) Sim, sim, no outro lado do rio. E quantos dias lá estiveste.
- Dos. Pero nos emborrachamos todo el tiempo.
- Vou tentar fazer o mesmo aqui.
- Si, con Pisco.