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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Caso Clínico Confidencial

Como alguns, mais perspicazes, terão quem sabe já suspeitado, T., o Homem cuja Vida nos tem sido dada a conhecer por retalhos - fiapos, nem isso talvez -, padece hoje de problema muito sério.

Grandes Frases - C

"Mãe!, Já não bebo!"

T., de regresso a casa, muito tempo depois, e talvez com melhor aspecto.
Talvez devidoà esperança.

domingo, 2 de agosto de 2009

Da Vida de T. - VI

Fazia três dias regressara à terra, à casa paterna, para férias forçadas, pé ao alto. Sentia-se nervoso, não sabia porquê. Horas depois, os primeiros tremores, mais tarde os suores.
Seriam os calores, as comichões no membro engessado? Se fossem as febres podia ser grave... mas disso havia de perceber ele, que para médico andava a estudar. Lembrou à Avó de T. que fosse só dos nervos. Caído de sopetão de volta ao berço, nem a viola houvera tempo de trazer. Vai daí, deu-lhe um copito de vinho, para o acalmar.
A verdade é que T. se voltou a sentir mais senhor de si.

dedicado ao pé estrocegado do Tuno Honorário Mineteiro

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Da Vida de T. - V

E nas festas de família, quando chegava a hora de servir o champagne, T. instalava-se entre duas senhoras das que só bebem um golinho.
E, proferidos os votos, felicitados os noivos, celebradas as bodas, apagadas as velas, exclamados os brindes, chocados os copos - tchim!tchim!, T. apressava-se a acudir às avozinhas atrapalhadas com o borbulhar da espuma beijada pelo gorgomilo abaixo, pchhhhhhhhh!, aliviando-as do restante conteúdo dos seus cálices.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Da Vida de T. - IV

Naquele fim de noite, com o calorzinho do vinho a suavizar a garganta gasta, T. adormeceu.
Os seus ouvidos remartelavam "O Afonso".

terça-feira, 5 de maio de 2009

Da Vida de T. - III

E no fim do dia em que T. deu por finda a adolescência; naquele dia em que os pais de T. não estavam, e o colchão do quarto da cave da casa de T. foi só um colchão, e que colchão; no fim desse suspiro, T. sentiu falta daquele "só mais um trago" que na véspera, sozinho, acabara a garrafa.
E mais tarde à noite, arranjou um intervalo nas "revivências", para descer ao quarto da cave, e reabastecer o espaço sob as almofadas.
E voltou a deitar-se de barriga para baixo, para reviver.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Da Vida de T. - II

Na infância de T. havia uma triste cave.
Nessa cave havia um pequeno quarto de arrumos de paredes despidas.
Nesse quarto havia um colchão de espuma cheio de pó. Trincheira enlameada, caravela renascentista, tapete voador, relvado fofo para pontapés de bicicleta. E campo de batalha de lutas de almofadas. Também de espuma, descosidas, ainda mais cheias de pó, amontoadas a um canto.
Na adolescência de T., nesse canto, por baixo das almofadas então raramente usadas, passou a esconder-se uma garrafa meio-cheia.

Da Vida de T.

T. começou a beber na cozinha.
Lá em casa era tudo dividido.
A mãe de T. cozinhava. O pai de T. ajudava.
O pai de T. lavava a louça. A mãe de T., embora dissesse loiça, também ajudava.
A T. e ao irmão cabia pôr a mesa, e levantá-la no fim refeição, levando a loiça - ambos herdaram a maneira de dizer da mãe para a cozinha.
Na cozinha, antes de despejar o resto pelo ralo da pia, bebia sempre um golo do vinho que sobrara no copo do pai. A mãe só bebia às vezes.