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segunda-feira, 23 de maio de 2011

"A la Table avec la Tune"





A cambalear, chegamos um a um.

Acho que sou o quarto, mas sou o primeiro a sentar-me. À minha esquerda o caloiro que um dia será Grande Morsa, depois Chiclete, na esquina, à cabeceira o o caloiro que um dia será Inca (que só chegou uns minutos depois), e depois o caloiro que um dia será o Magister Piça Quadrada. O caloiro que um dia será o Magister Piça Quadrada fica à direita dos Maiorais da República. Somos Con-Vi-Da-Dos. Aliás, há mais Convidados. Os Repúblicos são só sete ou oito, mas há para aí 20 pessoas à mesa.


Tacho de arroz de cenoura e ervilhas. (Que inveja vão ter os que estão sem comer, em casa do Tiago). Bolinhos de bacalhau. Salada. Somos Convidados, somos os primeiros a servir-nos.

Olho para o tacho. Não podemos comer tudo.

Ponho só uma colher no o caloiro que um dia será Grande Morsa. O caloiro que um dia será Grande Morsa é grande.

Chiclete é mais pequeno. Ponho meia colher a Chiclete.

Percebo que estou a pôr pouco. Posso abusar mais. Felizmente só me servi em terceiro lugar. Posso comer quase tanto como o caloiro que um dia será Grande Morsa.

Chiclete vai ficar com fome. Também há atum. Tostas com manteiga. No fim, laranjas.

Pouco participamos nas conversas. Não sei se parecemos malcriados. Estamos mesmo cansados.

Os pais do Saviola aparecem.

O Maioral é um gajo de barbas que tem uma namorada gordinha. Esta diz “Tabaco? Aquela coisa que só serve para gastar dinheiro e fazer mal?”.

Fala-se nos terríveis primos do o caloiro que um dia será Grande Morsa - que se portaram mal no Centenário da República; que só o o caloiro que um dia será Grande Morsa tem cobro neles; que estavam a ver o Sexy Hot no Centenário da República.

Há uma história de tiros de pressão de ar, da República para uma procissão - histórias antigas. Um bem-vestidinho reclama. "Disparar sobre os fiéis? Se ainda fosse sobre comunas..."

Fala-se muito de política em Coimbra.
Também se fala de nós. “Estes bacanos têm uma filosofia...” - referem-se às nossas digressões.
As paredes da sala têm muitas frases de um dos Tios do caloiro que um dia será Grande Morsa.

Eu sirvo-me segunda vez. Acho que, por cortesia, Chiclete não o faz.



...da "Crónica da Digressão a Coimbra, por um Candidato a Tuno-Honorário da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto", Junho de 2004

Dos Leões de Coimbra






15h30 Vai a passar uma donzela, e o caloiro que um dia será Grande Morsa corre para a Serenatear. Ela tenta escapar, mas o caloiro que um dia será Grande Morsa alcança-a. Eu vou atrás, descalcinho e aos saltos. Também é de Ciências da Educação.



Quando olho para trás já estão o caloiro que um dia será Água Benta e o caloiro que um dia será o Magister Piça Quadrada de calças arregaçadas, dentro da fonte. O dinheiro caiu lá dentro! Ia-me dando uma coisa. O caloiro que um dia será Grande Morsa vai logo a correr. Braços compridos, ajuda de fora da fonte. Alguém diz que só vai apanhar as maiores. Mas claro que se apanham todas.



Os que estão lá dentro começam a molhar-nos. Chiclete põe-se em boxers e também salta lá para dentro. Depois perceberá que à custa disto perde as tâmaras no jardim da Manga! Não sei como porque Chiclete foi para lá em cuecas… julgo eu… mas se calhar não porque de facto ele pôs a camisa a secar ao sol. A camisa secará por metades…



Entretanto damos pela falta do caloiro que um dia será Inca… Fugiu! Mal viu o dinheiro na água fugiu! Volta quando o começamos a procurar. Diz que foi ao quarto de banho. Mas, quando insistimos começa-se a rir.









...da "Crónica da Digressão a Coimbra, por um Candidato a Tuno-Honorário da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto", Junho de 2004

Do Fim Da(quela) Noite - Ou Antes Um Pedaço

Sugiro que subamos à Universidade. Falo em ir ao Pátio da Universidade. Mas o caloiro que um dia será Grande Morsa diz que deve estar fechada. Mas também diz que “Não nos digam que não se pode... e muito menos que é impossível!”. O caloiro que um dia será Grande Morsa já leva com ele uma placa da ProSegur.

Chiclete pede aos caloiros para nos seguirem à distância. Eles acabam por se distanciar à entrada de um bar.


Chiclete sugere que caminhemos em silêncio. Disfrutemos a noite. Apetece-lhe caminhar em silêncio. Mas eu sinto-me demasiado leve para o fazer. (Se calhar nunca o conseguiria fazer).
Como um palhaço aponto para a Lua, e para todas as coisas dignas de serem vistas. Mas sabe bem andar em silêncio.
Chegamos à altitude da Praça da Universidade. Junto à Sé Nova.
Deixo-me rebolar duas vezes pela rua inclinada. Da segunda só um bocadinho, porque Chiclete que tinha ficado com quase todos os meus objectos, me avisou que vinha um carro. O relógio parte-se. Fica parado nas...3h15.


São as horas que eu quiser!




...da "Crónica da Digressão a Coimbra, por um Candidato a Tuno-Honorário da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto", Junho de 2004

NOTA - para ler mais sobre este episódio, remetemos aos comentários ao segundo da rubrica "As Nossas Lendas", publicado a 19 de Fevereiro de 2009

domingo, 22 de maio de 2011

(Aqui Nasci)



04h00 - Leões (de Coimbra) – Jardim da Manga



Os caloiros já lá estão. Quando eu e Chiclete estamos a atravessar uma das pontezinhas, ele diz-me:

“E agora desculpa, mas vais ter mesmo de te banhares em trajes menores.”



E diz para a Vinicultuna dar as boas vindas ao... “Mineteiro” (Eu sabia que alguma coisa ia ter de correr mal!!!).
Abraçamo-nos, já comigo em cuecas.
Desço por uma das escadas de uma das pontes, e, devagar, deixo-me afundar.

Contorno o palácio a nadar, passando por baixo das 4 pontes, e dos 4 canos enferrujados que estão dentro de água.

É engraçado porque de tarde, quando o dinheiro caiu à fonte, tinha pensado que seria engraçado pôr alguém a passar ali, como se fosse um golfinho.

Depois de passar o primeiro avisto a Lua, mas não digo nada, porque não sei se estou dentro água e o som não se ouvirá, e porque me parece que eles se estão a ir embora. Não os ouço.


...da "Crónica da Digressão a Coimbra, por um Candidato a Tuno-Honorário da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto", Junho de 2004

sábado, 7 de maio de 2011

Aqui Nasci.





Que partindo desta pista, identifiquem os Contunos o local.

E aí chegados, que nos sentemos, e tiremos da Memória o farnel.

"Batem-se?"

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

médias frases...

"...quem me dera ser uma meretriz..."

Homemade

Ensaio Fotográfico III - O Senhor do Olá


Este senhor faz-me tanto lembrar a tuna... Um bem haja

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Controvérsias, enganos e realidade

A primeira rubrica totalmente em inglês:

"O meu grande amigo João Serra, o famoso 'Senhor do Adeus', faleceu. Conheci-o há cerca de sete anos e desde então fomos todos os domingos ao cinema", escreveu ontem à noite o realizador de cinema Filipe Melo no blogue Senhor do Adeus.

João Manuel Serra ficou conhecido dos lisboetas por passar as noites na zona do Saldanha, em Lisboa, a dizer adeus aos automobilistas que ali passavam - por vezes escolhia outras zonas da cidade durante o dia.

No blogue Senhor do Adeus pode ler-se que, todos os domingos, João Serra ia "ao cinema com Filipe Melo e com Tiago Carvalho", sendo que o blogue servia "para documentar as opiniões e observações de João Serra sobre os filmes e sobre a vida". "Os comentários deixados no blogue durante a semana serão lidos ao João Serra no domingo seguinte", de acordo com os autores da página.

"Eu sou o Senhor do Olá"

"Chamam-me o Senhor do Adeus, mas eu sou o Senhor do Olá. Aquele que acena no Saldanha, a partir da meia-noite. Tudo isto é solidão? Essa senhora é uma malvada, que me persegue por entre as paredes vazias de casa. Para lhe escapar, venho para aqui. Acenar é a minha forma de comunicar, de sentir gente", escrevia, em Março de 2008, o Expresso sobre João Manuel Serra, salientando: "São quase duas da manhã e os carros não param de lhe apitar. Nem eu de lhes acenar. Só fico triste quando o movimento acaba."

"Venho para a Praça Duque de Saldanha, desde que fiquei nas mãos de não ter ninguém. Nasci aqui perto, na casa da minha avó. Um palacete tão bonito, que o Calouste Gulbenkian quis comprá-lo. Vê-se que foi um menino rico. Sou filho de gente abastada, nunca trabalhei nem entrei numa cozinha", acrescentava o semanário, citando o "Senhor do Adeus".

Em Setembro de 2003, o Diário de Notícias escrevia que João Serra "nunca trabalhou, mas conhece a Europa toda" e "já entrou em dois filmes e até num teledisco".

No Facebook, já surgiu um apelo para uma concentração às 22h00 de hoje, no Saldanha, "para dizer adeus aos carros em homenagem ao senhor João que o fazia noite após noite". Desconhece-se o local e a hora do funeral de João Manuel Serra.

in Público, 11/11/2010