sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Lamentos de um Jantar de Natal

Estava tudo muito bom.
Mas cheguei tarde e fiquei noutra mesa.
Não foi da outra mesa. Foi do chegar tarde.
Ia a meio do bacalhau e não tinha esvaziado o primeiro copo.
Nas outras mesas nem havia Tinto.
Mas uma Garrafa para 4, em mesa de 8...
As Senhoras, Encantadoras. Foi do chegar tarde. Estive a trabalhar.
O Senhor começou com o Rui Veloso. Mas fraquinho.
E eu desabafei que para aquilo mais valia ter ido de carro.
Então à segunda, o Senhor Fadou de"Dar de Beber À Dor", aviei o que faltava e enchi sôfrego a copaça, a ver se a coisa se compunha.
Mas a plateia ignorou. E o Senhor enviezou um bocado outras músicas. Variações vocais esquisitas.
E não voltou ao Fado. A plateia ignorou...
De modo que me fiquei por ali.
Senti-me estranho.

Hoje até cheguei ao serviço antes das pessoas.

E agora acabo de saber que não é que ontem até foi Noite de Serenata.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Caso Clínico

...
-Cama 2,
- Homem de 83 anos ... hipertensão arterial ... iniciada duas horas antes, e sem factores... actualmente medicado com...
- Cama 3,
- ... hábitos tabágicos marcados... tosse e expectoração... biópsia... actualmente sem queixas... aguarda...
- Cama 4,
- ...era o cuidador da esposa... encontrado por vizinhos... permanece afásico, pouco reactivo a estímulos ... sonda naso-gástrica... sem indicação para...
- Cama 5,
- ...
- Cama 5,
- ...
- Cama 5,!!!
- !!! Desculpem!!! Estava a pensar na Vinicultuna. Querem que vos fale um bocado? É que amanhã é quinta-feira, e às vezes há serenatas que calham nesse dia...

domingo, 7 de dezembro de 2008

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento de mais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento –
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.


Ricardo Reis


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

As crónicas de Bruno Aleixo - I

Na sequência do anterior agradecimento... um novo post aqui liberto ...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Grandes Músicas

Bem hajas, nosso velho!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A Falta Sentida de RubiEsmeraldina

Um dia um de nós foi mal-criado.
Não interessa quem.
Perdeu as estribeiras, e num comentário chamou-lhe "puta".
Tanto pode ter sido um dos que costuma deslizar o teclado para a aseneira, como até um dos que nunca escrevia. Até pode nem ter sido o Amado da Amada Baixamente Ofendida pelas calúnias de RubiEsmeraldina.
A "Sensura" não chegou a tempo... se é que não foi dela a desbragadez de linguagem.
RubiEsmeraldina desapareceu.
Sem um lugar-comum, sem um "só enfia a carapuça quem quer", uma "dor de cotovelo" ou "de corno", um "querias mas é só para quem eu quero", ou uma referência à mãezinha.
Desapareceu.
Não voltaria.
Os ensaios ficaram pesarosos. E com frequência interrompidos com um desabafo.
"Não havia necessidade."
Sem que fosse preciso referir-lhe o nome.
"Perdemos a razão que podíamos ter."
Consciência pesada?
Até a Dona Elza acharia que não devia voltar a perguntar "Continuam sem saber quem é a Galdéria?"
Tristeza.
Sentida, chorada, cantada por cordas dedilhadas na procura de um refrão nunca explorado, há muito esquecido. Anos noventa? Fado Sueco? No início. No intervalo dos ensaios. Ao ir para casa.
Mas RubiEsmeraldina não voltaria.
Nem quando passaram seis vezes e três quartos, seis dias e três quartos sem qualquer mensagem neste blog.

With great responsabilities, comes great meals...


Onde se encontra a colher?

domingo, 16 de novembro de 2008

Prolonga-se o Encontro com a Estrela do Ar

Mas toco sem elmo e sem pauta!
Chegue-se!, Deixe cair o Queixo!
Expiro em Música pela Flauta,
O ar que inspiro num Beijo!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Do Legado de RubiEsmeraldina

...pois foi. ela um dia partiu.
E aqui se faz a resanha do rasto de embaraço com que o teclear longínquo dos seus dedos impregnou o bom-nome da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto no infinito espaço virtual.
Respeitando uma matemática e um horário que não conseguimos decifrar, RubiEsmeraldina atacou a cada 6 dias e três quartos, arredondado aos 5 minutos, em que nenhum tuno escrevia neste espaço, encarregando-se do preenchimento do vazio, a cada 10 horas e picos.
Aqui fica um apanhado dos textos que mais nos corariam as fauces.

- "Do Fofinho ao Entesoado - Propostas para Mascotes da Tuna" - continuámos sem perceber a preferência pessoal pela toupeira.
- Fotomontagens com sugestões de roupa interior para Vinicultunos.
- As insuportáveis sugestões musicais com o pop escandinavo por referência.
- Uma foto de uma parte sua, a nu, designada como "algo mais que um ombro" ... e o embaraço que isso trouxe a alguns sectores familiares mais conservadores.
- Enumeração que a todos embaraçou, das virtudes físicas de cada um dos Tunos da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto. Mas um ficou muito mais embaraçado do que os outros.
- A rubrica "Intervalo nas Biomédicas, Regresso aos WC da Minha Escola - Brincadeiras Precoces".
- A impertinente referência em tons pouco elogiosos à Senhora do Coração de um dos nossos Contunos.
- Sugestões para novos visuais para cada um dos Tunos da Vinicultuna de Biomédicas-Tinto - que curiosamente não conseguiu embaraçar ninguém mais do que tinha feito um dos apontamentos anteriores.
- A constante designação de "Queriducho".
- Os "prontos", "tá-se", e "é assim"
- Aplicações de joalharia para Trajes Académicos.
- Outra foto de outra parte sua, sob título impublicável, com referências à inesteticidade da abundância de reminiscentes da pelagem corporal versus a sua hipotética utilidade no Frio Inverno Polaco.
- Uma indecente insinuação relativa à inclinação sexual de um proeminente lente da nossa Escola.
- Adulterações porcas de Poetas Que Nos São Caros.
- A explicitude da tantas vezes repetida: "Praxem-me".
- A abusiva apropriação da frase "São as Horas Que Eu Quiser!", sempre que o intervalo dos 6 dias e 3/4 ou as 10 horas e picos calhava a desoras.
- A opção por um cursivo intencionalmente efeminado, com sublinhados a cor-de-rosa-indecente que escolheu para desenhar as suas mensagens.
- O trocadilho desgostoso que envolveu Abelardo, rimando com facilidade os termos cavalo, cala, calo, fala , falo - Mas Abelardo, pareceu não se importar, pelo menos não disse nada.
- A incómoda sensação de ver escritas frases proferidas pouco tempo antes em ambiente supostamente íntimo.
- A intolerável justificação, sempre que lhe fugia o pé para a chinela "Desculpem, já estou meia-bêbeda!".

Celebração com Lamento

Chega tardio, em Novembro,
O mangerico que rima!
Em Junho a ninguém lembrou,
Que esta quadra nos redima:

Traz sardinhas o João,
Castanhas é com o Martinho
Faz-se no Inverno Verão,
Com Caldo, Rojões e Vinho.

domingo, 9 de novembro de 2008

Do Encontro com a Estrela do Ar

"Bom-Dia Senhor Astronauta,
Que Grande Prodígio é Este!,
O Senhor Toca Flauta,
Sem tirar o Capacete!"

sábado, 8 de novembro de 2008

domingo, 2 de novembro de 2008

Acerca das Amizades e Festivais tUNESCOs

"Extra, Extra!!!
Tuna actua em festival feminino e é convidada a sair após actuação extremamente pobre!" - Capa do jornal Destak.
Sr. do Vale indignado com notícia que acaba de ouvir, tosse duas vezes e reflecte sobre o assunto.
PêNô recebe a notícia com êxtase dirigindo-se aos Tunos mais próximos e perguntando:
-"Sabem alguma coisa em relação a esta notícia, Meus Tunos?"
-"Não, mas é triste. Terão ganho algum prémio..." - respondem os Tunos tristemente em unissono, mas continuando - "TóZé quando começa a época das vindimas?"
-"Isso já foi há algum tempo..." - PêNô indgnadissímo responde.
-"hummmm, não sabemos...digamos, não nos parece." - murmuram, sempre em unissono.
Continuaram, inquietados...

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Em que o Magister Piça Quadrada Nega 3 Vezes Rubiesmeraldina, Questão que o Tuno Inca Sentenceia Sabiamente

- Foste tu que lhe deste acesso ao blog?
- Não!
- Trocaste uma password por um Sorriso?
- Já vos disse que nunca a vi!
- Mas quem é a ga...Donzela?
- Não faço ideia!
...
- Lá quem deu, ou deixou de dar, não sei nem interessa. Interessava era que aparecesse também no Piolho. Com tanta disponibilidade, ainda nos sai a Segunda Polaca.

domingo, 26 de outubro de 2008

Grandes Frases XCI


"Quando não posso cantar, tenho saudades de mim."

Camané, ontem em Braga


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Caros Contunos, Queridos Amigos, Estimadíssimos Leitores:

Acabo de reparar lamentável lapso, e de publicar os Capítulos XXXII e XXXIII da Saga
"As Extraordinárias Demandas do Estúpido mas FortedeVontade Caloiro Saca-Rabos, na Conquista do Título de Tuno Ratoneiro, ou TonoraTuneiro", ocultas em rascunho bruto desde Fevereiro de 2007, e agora trazidas à luz, para fazer luz sobre o desfecho do percurso académico do nosso Contuno Felpudo.

Um grande pedido de desculpas a todos.

Tó!-Zé!, (Esse Maluco!), e as Loucuras das Garrafas das Bebidas Sem Álcool !!!





Grandes Frases - XC

"Ai!, que saudades, ai!, ai!...",

Carlos Pinhão, durante muitos anos, em "A BOLA"

Foi assim que a Vinicultuna se iniciou no mundo virtual...

Para que quem conhece afogue as saudades,
para que quem não conhece se exalte em supremo deleite...

Clicar aqui!!!! (com força)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

2 poemas para Paredes

Coração

Coração de mar e vento
Que aos corações lanças redes,
És perpétuo movimento
Na guitarra do Paredes.

Pões esperança e amargura
Livras sombra e luz nas notas,
E em surdina tens gaivotas
De saudade e de aventura.

Coração tumultuário,
Ah faminto coração,
Solidário e solitário
A prender nuvens ao chão.

Coração de melodia,
Coração em que murmuram
Sol e lua se misturam
Em funda melancolia.

De tantas fomes e sedes,
Coração terno e violento,
És perpetuo movimento
Na guitarra do Paredes.

Ah faminto coração
A prender nuvens ao chão...

Vasco Graça Moura



Guitarra (Carlos Paredes)

A palavra por dentro da guitarra
a guitarra por dentro da palavra.
Ou talvez esta mão que se desgarra
(com garra com garra)
esta mão que nos busca e nos agarra
e nos rasga e nos lavra
com o seu fio de mágoa e cimitarra.

Asa e navalha. E campo de batalha.
E nau charrua e praça na rua.
(E também lua e também lua)
Pode ser fogo pode ser vento
(ou só lamento ou só lamento)

Esta mão de meseta
voltada para o mar
esta garra por dentro da tristeza.
Ei-la a voar ei-la a subir
ei-la a voltar de Alcácer Quibir

Ó mão cigarra
mão cigana
guitarra guitarra
lusitana.
Manuel Alegre